
Nuno Mariz é o criador de serviços como o Smallr e o Fullread. É um reconhecido geek – sem ofensa – da nossa praça e concedeu-me o prazer e o tempo que me permitiu efectuar algumas perguntas cujas respostas quero agora partilhar com todos os leitores do 2.0 Webmania.
Fica abaixo o Q&A com o Nuno Mariz.
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P: O Smallr e o Fullread são projectos muito interessantes e em particular o primeiro apresenta-se como muitíssimo útil. No entanto e tendo em conta a quantidade de oferta nesse segmento achas que poderão vir a ser casos de verdadeiro sucesso?
R: O Smallr foi uma brincadeira feita em 8h num sábado para passar o tempo. Apenas recentemente começou a ganhar adesão e está na hora de acrescentar novas funcionalidades, tais como as estatísticas e integração com algumas redes sociais. Algo que será lançado brevemente.
A quantidade de oferta neste segmento é grande devido ao facto de este tipo de serviço ser fácil e rápido de implementar. O projecto que terá sucesso será aquele que for mais usado nas redes sociais.
O Fullread por outro lado demorou mais algum tempo a produzir. A ideia inicial era elaborar uma ferramenta para organizar as minhas leituras, na altura resolvi partilhar esse serviço.O curioso é que na altura foi um dos primeiros serviços do género e as pessoas inicialmente não entenderam o propósito e julgavam que era mais serviço do tipo Delicious. O Instantpaper que veio posteriormente teve mais adesão e provavelmente é o líder neste tipo de aplicações, talvez pela sua aplicação para o iPhone/iPod. No meu entender o Fullread com mais funcionalidades terá mais potencial que o Smallr.
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P: A exploração comercial do Smallr (Google Adsense) tem algum retorno?
R: Não. Qualquer dia retiro o Google Adsense, chega a ser ridículo o valor que ganho na publicidade. Este tipo de serviço não tem qualquer tipo de rentabilidade, a não ser que se crie uma conta “Premium” com funcionalidades extra. Mas não existem muitas mais funcionalidades que se possam acrescentar que justifiquem um serviço “Premium”.
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P: Achas que é possível viver única e exclusivamente de um projecto (startup) em Portugal?
R: Sim. No entanto é complicado, principalmente se a Startup apenas tiver um projecto e este não for global, ou seja limitar-se ao mercado Português.
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P: Consideras-te um empreendedor?
R: Não. Apenas fiz umas brincadeiras e acho que o uso do termo “empreendedor” está demasiado vulgarizado hoje em dia.
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P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?
R: No meu entender as principais características para se ser “empreendedor” são:
Criativo e Visionário > Fazer algo que ainda não está feito ou melhorar substancialmente algo que já está feito.
Persuasivo > O “empreendedor” tem que saber vender o seu projecto ou ideia, sem esta característica nada feito.
Persistente > O mais certo é que o projecto que um “empreendedor” irá produzir, não terá sucesso nos primeiros tempos, este tem de acreditar(até ao limite do razoável) que o seu projecto terá sucesso.
Business Model > Não é uma característica do “empreendedor” mas do projecto, no entanto se uma Startup não tem este ponto importante nos seus projectos, está automaticamente condenada ao fracasso.
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P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, i.e., achas melhor começar por trabalhar para um empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou indiferente?
R: Depende. De qualquer uma das formas, ser empreendedor tem riscos associados, mas acho possível ser empreendedor e ter emprego que pague as contas no final do mês (eu chamo-lhe o “Safe mode”). No entanto poderá chegar a altura que o todo tempo disponível terá de ser redireccionado para o projecto em que se está a empreender. Neste caso tem de se começar a fazer contas, é aqui que os riscos são maiores e as grandes decisões são feitas.
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P. Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto?
R: No tipo de tecnologias em que me insiro(web) acompanho alguns: GoPlan, Destakes, Handivi, TheStarTracker, Tarpipe, etc.
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P. Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?
R: Provavelmente apostaria no GoPlan. Obviamente porque já tem provas dadas. E porque no meu entender ainda tem margem para crescer. É o projecto típico de venda de serviços, que tem um “Business Model” realístico e está no mercado global.
Devo fazer referência ao Tarpipe, que acho tecnicamente é um projecto interessante. No início achava que o projecto estaria condenado ao fracasso, mas se este começar a disponibilizar serviços para o mercado empresarial poderá vingar.
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P. Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades? O que falta em Portugal?
R: Tudo é uma questão de mentalidade. No mercado que estou inserido, hoje em dia os custos associados à produção de projectos é baixo. Podemos dividir um projecto em duas componentes: A componente técnica do projecto. Vivemos tempos interessantes nesta área, com a massificação da utilização das linguagens dinâmicas e das “fullstack frameworks” que permitem um rápido desenvolvimento. Portanto, a parte técnica é facilmente ultrapassada.
A outra componente seria o alojamento e manutenção do projecto, que neste momento tem custos baixos e existem muitas alternativas, tais como as VPS, EC2 e S3 da Amazon, etc.
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P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?
R: Sim. Sou daqueles que tenho a felicidade de ter a uma profissão que é ao mesmo tempo um dos meus passatempos favoritos.
Em relação ao país, não sei.
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P: E projectos novos? Quais e para quando?
R: Primeiro tenho de reformular o Smallr e o Fullread, depois tenho um projecto na gaveta que já deve ter 4 anos, é o Carburador.
Existem outras ideias, mas falta-me o tempo.
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Obrigado Nuno.
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4 Responses to “Nuno Mariz no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte V)”
penelope
1 year ago
Nuno Mariz no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte V) (via Tumblr) http://tinyurl.com/5cs83n
penelope
1 year ago
Nuno Mariz no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte V) (via Tumblr) http://tinyurl.com/5cs83n
Rui Costa
1 year ago
[bmark] Nuno Mariz no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte V) http://tinyurl.com/5qkdd2
Rui Costa
1 year ago
[bmark] Nuno Mariz no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte V) http://tinyurl.com/5qkdd2