Escrito a November 17th, 2008 às 3:38 pm por RC

7 Comentários


Sem prejuízo do colocado na primeira parte deste post (publicado a 27/10) a deliciosa verdade é que Portugal está mesmo a mudar.

Não falo apenas das inevitabilidades decorrentes da adaptação aos enquadramentos económico-financeiros e consequentes tremores sócio-culturais, falo sim, e acima de tudo, de uma lenta mas vincada mutação nas mentalidades vigentes.

Chamo-lhe mutação porque não me parece que se trate apenas de uma qualquer evolução ou transformação. Não me parece a consequência de uma acção calculista ou simplesmente calculada. Parece-me, fortemente, que já não é preciso fazer parte da estrutura para poder colocar areia (ou lubrificante) na engrenagem.

O indivíduo, apesar da formatação imposta pelos tempos, assume finalmente um papel de importância relevante. As “minhas opiniões” contam porque as “opiniões” de quem lê contam ainda mais. 2.0 é isto e é difícil exigir mais.

Nota-se dinamismo. Nota-se movimento. Escrevo “nota-se” porque “se nota”, se vê, de facto. No momento em que escrevo este post decorrem em Portugal, que eu tenha conhecimento, dois importantes eventos e que tenho necessariamente que mencionar.

O primeiro vai já na quarta edição e pelas reacções que já vão correndo pelos canais Twitter, posso arriscar que o V Encontro de Blogues será uma realidade. A edição deste ano levou até à UCP (Lisboa) um conjunto de painéis de muita qualidade. Não fosse a lembrança tardia de tal encontro e teria tido o maior interesse em estar presente de forma a poder alargar-me nos comentários. Infelizmente e apesar de tanta gente ligada aos media a fazer parte dos painéis e do público, o mediatismo ficou um bocadinho aquém do desejado.

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O segundo, definitivamente incontornável, tem o nome de Codebits e está na teve a sua segunda edição. São Foram 3 dias de pura actividade criativa, networking e sangue novo a correr pelos corredores da tão falada “inovação tecnológica”. Para ser honesto estava à espera de ver o que dava esta segunda edição para poder escrever a segunda parte deste post e a verdade é que valeu a pena a espera.

O Codebits é um projecto vencedor e é definitivamente a materialização de tanta retórica, manual, guia, lição e oratória acerca do que temos que fazer para (re)inovar (n)este país. É obviamente um tipo de iniciativa que, pela dimensão, não poderia ser posta de pé por muitas empresas em Portugal que não a PT. Pela mentalidade de que faz uso, infelizmente, só vejo ainda uma marca que o possa fazer.

Sim, porque isto da mentalidade não passa apenas por fazer anúncios com bandas sonoras absolutamente dirigidas à famosa faixa dos “18-25″, é algo mais. Mais tarde ou mais cedo vamos perceber isso. Pode ser que lá chegue com cátedras, discursos inflamados e “blogues enquanto blogues” ou pode ser que não.

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O Codebits, arrisco-me a dizer, é por isso o mais importante evento alguma vez criado em Portugal no panorama das novas tecnologias e descoberta de talento. É uma forma de gerar motivação, potenciar talento, reavivar interesses e uma forma de aproximar os meios académicos e empresarial nem que seja por pura necessidade.

Seja porque razão for é de louvar a assinatura dos protocolos de cooperação entre as Universidades de Coimbra, Porto e Minho e o SAPO (ou PT) depois de o tipo e formato da relação se ter provado produtivo se observarmos o que já saiu do relacionamento com a Universidade de Aveiro. Posso mesmo falar por experiência pessoal quando vos digo que se sente um ar diferente nos corredores ladeados pelas salas dos laboratórios do SAPO na Universidade de Aveiro. Não é academismo nem empreendedorismo, isso são apenas palavras. Sente-se vida e muita vontade de Fazer!

Há obviamente um interesse comercial da parte do SAPO e da PT quando se decide avançar com algo como o Codebits. Não me refiro ao que de imediato nos salta à cabeça e que tem naturalmente a ver com a descoberta de talento, divulgação da marca, marcação territorial, promoção de produtos como o meo, et cetera, mas, se fosse só isso haveria um milhão de formas mais baratas e com uma relação custo/benefício bem mais interessante do que esta.

Há, estou convencido, um interesse muito particular em restituir a imagem do SAPO enquanto entidade conhecida e reconhecida pela tal famosa faixa dos “18-25″. Devolvê-lo (ao SAPO) àquilo que era no “nosso tempo”. Reconstruir o SAPO que era identificado como um portal e não como “A” SAPO que tantas vezes tenho ouvido e lido.

“A” SAPO é algo que muito provavelmente não vai trazer a próxima geração até ao maior portal português. “A” SAPO é p’ra aí um fornecedor de acesso à Internet. Já “O” SAPO, é algo mais importante, mais próximo de todos. “O” SAPO é cool, “A” SAPO é cold!

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Seja por isso ou por simples mecenato ou caridade, o que é certo é que a imagem do SAPO enquanto marca forte, pioneira na construção da inovação e um dos motores do verdadeiro “choque tecnológico”, está de facto a chegar até aos jovens. Os mesmos jovens que são os verdadeiros influenciadores e opinion makers do nosso tempo e que as empresas tentam desesperadamente seduzir mas que só algumas sabem (e podem) fazê-lo. O segredo? É simples: keep it real. Sejam honestos!

E agora? O que se segue? Uma repetição do mesmo? Não. O formato em que foi baseado o Codebits permite-lhe uma expansão em qualquer direcção. É desenvolvido assente numa teoria de crescimento de “distância ao centro” e não de “distância à base” e isto apesar de se ter permitido (com o sucesso da primeira edição) a aproximação do SAPO corporativo (PT) a um SAPO mais parecido com aquilo que me lembro de ter conhecido. Esta segunda edição do Codebits colocou, de forma definitiva, um ponto final no Portugal geek mas inconsequente.

Mas há muito mais para lá do Codebits e que não se torne o evento numa régua do que é bom e do que é mau. É preciso mais, ainda mais e muito mais. Mais debate com o objectivo debater. Mais apresentações que mostrem o que se fez e não o que se poderia fazer. Mais gente. Muito mais gente. Mais geeks, mais pensadores, mais jornalistas envolvidos, mais “homens de fato” com cabeça em cima do ombros.

É preciso mais Portugal deste que está, de facto, a mudar.

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Por último mas nem por isso menos importante, ficam os mais sinceros parabéns ao Pedro Sousa, Rui Leitão e Eduardo Almeida pelo BookWorms, projecto embrionado no Codebits’07 e posteriormente acompanhado pelo SAPO até se ter tornado parte integrante da oferta do portal.

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:.:.:

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7 reacções a “Portugal 2.0 no ano de 2008 (parte 2 ou “ainda o Codebits”)”


  1. Francisco Costa

    7 months ago

    Excelente reflexão…
    De facto nota-se que nestes últimos 2 anos o pais está a mudar. Há uma maior aproximação das pessoas à tecnologia e cada vez mais se cultiva uma mentalidade de partilha e colaboração.
    Espero que o Codebits, pioneiro a nível nacional, crie mossa noutras organizações tecnológicas de forma a tornar o panorama ainda mais fervilhante…
    O arranque já foi dado… espero que continue a acelerar…


  2. RC

    7 months ago

    Acho que tens toda a razão Francisco.
    Também espero o mesmo.
    Abraço


  3. Pedro Sousa

    7 months ago

    Bom artigo.
    De facto, a dica não podia ser melhor: keep it real. :)
    obrigado também pelas palavras de apoio. vamos fazer por não desapontar! :)


  4. RC

    7 months ago

    Obrigado pela visita e comentário.
    Tenho a certeza que ainda vamos falar muito (e bem) do BookWorms.


  5. Bruno

    6 months ago

    Até dá vontade de ver mais de perto o Codebits. O Book worms parece-me muito interessante mas ainda parece muito verde. É pena só o Sapo tomar a responsabilidade deste tipo de iniciativa.
    Parabéns mais uma vez pelo seu excelente artigo.

2 Trackbacks para este post

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    [...] Portugal 2.0 no ano de 2008 (parte 2 ou “ainda o Codebits”) – 2.0 WEBMANIA – Portugal, a… [...]

  2. Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III) - 2.0 WEBMANIA - Portugal, a Web 2.0, o Mundo e a Internet Escreveu:

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