
O André Gonçalves é o criador de projectos como o QuestionForm ou Mappeo e tem na Fws Software Lda. a sua base de operações organizacional.
O André é um dos web-empreendedores nacionais que mais sucesso tem tido para lá de fronteiras e conta, por exemplo, com uma muito interessante classificação no StartUp 2.0 (2007), um evento organizado em Espanha e que visa distinguir as web startups de maior interesse que despontam na Europa.
A Fws Software foi também Prémio Madeira de Inovação Empresarial 2006/2007 e um mini-projecto como o Mappeo, apesar de bem menos popular que o QuestionForm, contou mesmo com referências em grandes representantes dos online media como o Webware (CNet).
Apesar do pouco tempo que sei ter disponível, o André foi como de costume de uma disponibilidade à prova de bala.
Fica abaixo o resultado.
-
P: O QuestionForm foi um dos projectos mais com mais projecção internacional daqueles que foram desenvolvidos em Portugal. Um excelente lugar no Startup 2.0 e o interesse generalizado serviram, de facto, para alguma coisa?
R: Acho que serviram, nem que seja para me dar a motivação para continuar. Como todos os que vivem neste ambiente sabem, existe muito ruído de fundo na Internet, e é muito difícil (especialmente para um projecto pequeno) obter visibilidade e destaque.
O facto de ter sido seleccionado para o startup 2.0 trouxe-me essa visibilidade e se calhar a validação externa do projecto. Uma das lacunas do questionform, é o facto não se promover devidamente (mea culpa, porque já deveria ter um blog por exemplo) e a presença no startup2.0 serviu se calhar para cobrir parte dessa lacuna.
P: O QuestionForm continua a crescer? Fica aquém, corresponde ou supera as vossas previsões?
R: O questionform continua a crescer a um ritmo saudável.
No entanto devo dizer que em relação às minhas expectativas, o número de utilizadores que subscreve os planos pagos é inferior ao que eu esperava (aprox. 1%).
P: O QuestionForm paga as contas, i.e., seria possível “viver” de algo como o QuestionForm?
R: Sim, o questionform paga as contas e sobra. Mas isso só é possível porque o questionform não tem uma equipa de várias pessoas, renda do escritório, etc.
A facturação do questionform não chega a 5000€/mês, é importante que quem inicia um projecto desta natureza perceba que quanto mais ágil e menos custos tiver, terá uma muito maior margem de experimentação e muito maior capacidade de sobrevivência.
P: Achas mesmo que é possível viver única e exclusivamente de um projecto web (ou de uma startup) em Portugal ou ainda não é possível?
R: Acho que é possível, no entanto para isso acontecer, acho que os projectos devem procurar projecção internacional, especialmente se operarem num nicho de mercado. No caso do questionform, se o meu mercado fosse exclusivamente nacional, de certeza que já teria fechado as portas.
P: Consideras-te um empreendedor?
R: Considero-me alguém que gosta de produzir e criar. E gosto imenso do que faço actualmente, e para poder continuar a fazê-lo tenho que procurar trabalhar em projectos sustentáveis e com retorno.
P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?
R: Acho que não é necessária nenhuma característica especial, o empreendedorismo não é um gene presente só em alguns. No entanto, eu acho que existem duas características que são necessárias:
Trabalho – parece um cliché, mas é verdade, é preciso trabalhar muito.
Persistência – não confundir com teimosia, a capacidade de continuar a insistir mesmo quando as coisas não correm bem. Para muitas das startups com sucesso, a glória surgiu logo a seguir a terem escapado por pouco à morte.
P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, ou seja, achas melhor começar por trabalhar para um empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é indiferente?
R: Eu pessoalmente, acho que se deve iniciar o trajecto imediatamente como empreendedor. Idealmente, enquanto estão na universidade ou logo após a conclusão do curso. É muito mais difícil tomar essa decisão quando existe uma família, casa e muitas contas para pagar.
Se eu olhar para o meu trajecto, percebo que deveria ter tomado este caminho muito mais cedo, e aquilo que aprendi quando estava a trabalhar para empresas serviu-me de muito pouco (se calhar serviu-me para perceber o que não deveria fazer).
P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto?
R: Acompanho muitos. Em relação aos projectos portugueses:
Sigo com muito interesse o que a WeBreakStuff produz, sempre com muita qualidade.
Os projectos do Carlos Andrade (especialmente o Destakes) e o seu percurso são uma inspiração para mim.
O Tarpipe do Bruno Pedro e Vítor Rodrigues é excelente e com muitas potencialidades.E outros.
P: Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?
Sim, investiria com confiança.
O facto de participar num projecto web com retorno e compreender as potencialidades de crescimento dá-me a confiança necessária.
Isto não é só conversa, eu estou mesmo disposto a investir (não nos projectos acima referidos porque presumo que não necessitam), mas em projectos web em fase de arranque!
P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades? O que falta em Portugal?
R: Acho que é uma questão de mentalidade. Irrita-me este estado de espírito de queixa constante em vez de fazer algo em relação a isso.
Se olharmos para a comunidade web na Roménia e Polónia – países com teoricamente menos condições que nós – e com projectos de grande qualidade, concluímos que poderíamos fazer bem melhor.
P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?
Tenho quase a certeza que estarei a trabalhar com engenheiro de software porque essa é a minha paixão. Em relação a viver em Portugal não arrisco nenhuma previsão embora a qualidade de vida no Funchal é fantástica.
P: E projectos novos? O que há por aí?
Existem alguns. Não quero levantar o véu até haver algo mais substancial. No entanto posso dizer que o questionform irá aparecer em breve renovado e (na minha opinião) irá surpreender pela tecnologia e funcionalidades novas. Penso que estará ao nível do melhor que se faz mundialmente ao nível de aplicações web.
-
Obrigado André.-
-
-
-








12 Respostas a “André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII)”
pcamacho
3 years ago
Retweeting @ruijscosta: [post 2.0 Webmania] André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) http://tinyurl.com/5ugp3w
Pedro Camacho
3 years ago
Retweeting @ruijscosta: [post 2.0 Webmania] André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) http://tinyurl.com/5ugp3w
penelope
3 years ago
André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) (via Tumblr) http://tinyurl.com/5ugp3w
Paulo Simões
3 years ago
Via Webmania André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII):
O André Gonçalves é o .. http://twurl.nl/7e6lwt
TekPT
3 years ago
:: 2.0 Webmania :: André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) http://snipurl.com/7u206
penelope
3 years ago
André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) (via Tumblr) http://tinyurl.com/5ugp3w
Paulo Simões
3 years ago
Via Webmania André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII):
O André Gonçalves é o .. http://twurl.nl/7e6lwt
TekPT
3 years ago
:: 2.0 Webmania :: André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) http://snipurl.com/7u206
Pergunta
3 years ago
>>Sim, o questionform paga as contas e sobra.
A minha pergunta é:
No questionform não vi publicidade e, se só 1% dos utilizadores pagam pelos serviços premium, como é que o questionform é rentável?
Que outras maneiras, sem ser ter serviços pagos e publicidade, existem para tornar um start-up web rentável?
Andre Gonçalves
3 years ago
Olá,
O questionform tem muitos utilizadores, >20k registados (vou deixar-te fazer o resto das contas)…
Em relação a segunda pergunta, não te sei responder que outros modelos existem. Os dois que referiste são os mais típicos e cada um tem obviamente as suas vantagens e desvantagens.
Eu nesse aspecto sou conservador, e gosto de pedir aos utilizadores que paguem pelo serviço, embora como podes perceber pela taxa de conversão, ainda é algo que a grande maioria não faz (isto independentemente do preço praticado).
André
Rui Costa
3 years ago
[post 2.0 Webmania] André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) http://tinyurl.com/5ugp3w
Rui Costa
3 years ago
[post 2.0 Webmania] André Gonçalves no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VII) http://tinyurl.com/5ugp3w