
André Ribeirinho é, juntamente com Emídio Santos e André Cid, um dos fundadores do Adegga. O André conta ainda com uma passagem pelo SAPO, é um dos impulsionadores da SHiFT, participa como consultor no Tarpipe e é co-fundador do Filmz. Tempo deve ser coisa que não lhe sobra.
Ainda assim o André acedeu amavelmente a responder a algumas perguntas acerca do Adegga e acerca da sua visão do empreendedorismo. Ficam abaixo essas mesmas expressões.
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P: O Adegga foi um dos projectos que podem ser considerados uma “lufada de ar fresco” no panorama dos projectos web que Portugal viu nascer nos últimos anos. Arrisco-me a dizer que foi mesmo o mais interessante a surgir no período pós Destakes do Carlos Andrade.
Sentem isso? Sentem que ajudaram a mudar alguma coisa no panorama da chamada Web 2.0 em Portugal? Não seria de esperar mais “lufadas de ar fresco” ainda que num país relativamente pequeno como o nosso?
R: Pelo feedback que recebemos temos sentido essa atenção especial. Até mesmo por pessoas que não gostam de vinho mas que seguem de muito perto o projecto. Se ajudamos alguma coisa foi a mostrar que é possível criar projectos interessantes a partir de Portugal. A nosso ver o Adegga ja é um sucesso a vários níveis independentemente do sucesso financeiro.
A nível pessoal ficava mais feliz se existissem muito mais projectos a serem lançados em Portugal. Era bom para o mercado e era bom para o Adegga. Existe em Portugal uma cultura muito avessa ao risco. Criar um projecto de raiz tem muito mais retorno do que a maioria dos empregos 9-to-5 a nível de experiência e conhecimento. Esse lado nunca é incerto no entanto nunca é considerado como sendo uma vantagem. Aos que estão à espera de “incentivos” e “apoios” digo apenas que encontrem soluções para esse “problema”. Esse é o primeiro desafio de um empreendedor.
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P: O Adegga continua, de facto, a crescer?
R: O desenvolvimento do Adegga não tem parado e isso nota-se na atenção que recebemos por parte da comunidade. O Adegga tem vindo a crescer tanto a nível de reconhecimento de marca como em número de utilizadores registados. No entanto, considero que ainda estamos na infância do projecto.
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P: Mas fica então aquém, corresponde ou supera as vossas previsões e expectativas?
R: Com base no facto de termos optado pelo modelo de bootstrapping para financiamento, as nossas previsões (mais realistas) apontavam para um crescimento orgânico lento mas sustentado. A nível de ganhos calculámos que seriam superiores ao que são neste momento mas havia vários cenários e o crescimento que se tem verificado era um deles.
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P: O Adegga paga as contas? Quero dizer, ser-vos-ia possível viver de algo como o Adegga?
R: O Adegga tem por agora poucos “revenues”. Além disso todo o dinheiro que entra no Adegga é utilizado para pagar as suas próprias contas. Viver de algo como o Adegga (ou seja, pagar salários) nesta fase só seria possível se tivéssemos investimento externo.
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P: Quando esperam atingir o break even point?
R:O Adegga deverá ser sustentável dentro de 1 ano, se continuarmos a crescer ao ritmo actual.
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P: Consideras-te um empreendedor?
R: Se por empreendedor entendes que é uma pessoa que assume responsabilidade pelos riscos seguidos, que toma decisões difíceis, que faz alguns sacrifícios mas tem uma clara visão do que quer, então a resposta é sim. A razão porque te respondo assim, deve-se ao facto de a palavra empreendedor ser utilizada de muitas formas. Quando escrevo nos meus cartões de visita que sou um empreendedor, é a isto que me refiro.
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P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?
R: Ser empreendedor é ter uma visão para uma oportunidade de negócio e conseguir reunir as condições necessárias para conseguir executar essa visão.
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P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, ou seja, achas melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é indiferente?
Não sei a que trajecto te referes mas posso dizer-te, pela minha experiência pessoal, que a passagem pelo SAPO foi muito útil, por várias razões. O SAPO ensinou-me a fazer “omoletes sem ovos” o que nem sempre é fácil. No entanto, cada pessoa é diferente e não existe o “momento certo”, é tudo um questão de oportunidades. Se existe uma oportunidade e sentes que deves agarra-la, go for it.
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P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto?
Em Portugal acompanho de muito perto os projectos do Bruno Pedro, sendo que estou ligado profissionalmente ao Tarpipe. O Postcrossing é outro dos meu favoritos. O projecto da SHiFT, liderado pelo Pedro Custódio, e do qual faço parte é também um muito interessante exercício de empreendedorismo.
Lá fora, existem algumas referências a nível de projectos como por exemplo o Yelp, o Wikio ou o Etsy. Como empreendedores (e como amigos) tenho, por exemplo, como referência o Thomas Mygdal da 23hq.com e o Laurent Haug da conferência LIFT pelo que têm feito como empreendedores. Mas devo dizer que todos os dias conheço pessoas novas que servem de inspiração pela forma e pela determinação com que fazem o que gostam.
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P: Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?
Qualquer dos projectos / empreendedores mencionados estão a mudar a forma como outras pessoas interagem entre si e com o Mundo. São líderes e referências nas, muitas vezes solitárias, funções de criar,inovar, quebrar barreiras e ir mais longe.
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P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades?
R: Temos coisas piores e coisas melhores. É tudo uma questão de abertura e de mentalidade.
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P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?
Muito provavelmente estarei a criar projectos e a empreender. Não sei se cá, se noutro país. Gosto muito de viver em Portugal mas é muito difícil ser criativo e sem ir “lá fora” apanhar ar.
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Obrigado André.-
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December 11th, 2008 at 16:06
[...] André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI) [...]
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