Escrito a December 11th, 2008 às 3:00 pm por RC


André Ribeirinho no "Portugal 2.0 no ano de 2008" (parte VI)

André Ribeirinho é, juntamente com Emídio Santos e André Cid, um dos fundadores do Adegga. O André conta ainda com uma passagem pelo SAPO, é um dos impulsionadores da SHiFT, participa como consultor no Tarpipe e é co-fundador do Filmz. Tempo deve ser coisa que não lhe sobra.

Ainda assim o André acedeu amavelmente a responder a algumas perguntas acerca do Adegga e acerca da sua visão do empreendedorismo. Ficam abaixo essas mesmas expressões.

-

P: O Adegga foi um dos projectos que podem ser considerados uma “lufada de ar fresco” no panorama dos projectos web que Portugal viu nascer nos últimos anos. Arrisco-me a dizer que foi mesmo o mais interessante a surgir no período pós Destakes do Carlos Andrade.

Sentem isso? Sentem que ajudaram a mudar alguma coisa no panorama da chamada Web 2.0 em Portugal? Não seria de esperar mais “lufadas de ar fresco” ainda que num país relativamente pequeno como o nosso?

R: Pelo feedback que recebemos temos sentido essa atenção especial. Até mesmo por pessoas que não gostam de vinho mas que seguem de muito perto o projecto. Se ajudamos alguma coisa foi a mostrar que é possível criar projectos interessantes a partir de Portugal. A nosso ver o Adegga ja é um sucesso a vários níveis independentemente do sucesso financeiro.

A nível pessoal ficava mais feliz se existissem muito mais projectos a serem lançados em Portugal. Era bom para o mercado e era bom para o Adegga. Existe em Portugal uma cultura muito avessa ao risco. Criar um projecto de raiz tem muito mais retorno do que a maioria dos empregos 9-to-5 a nível de experiência e conhecimento. Esse lado nunca é incerto no entanto nunca é  considerado como sendo uma vantagem. Aos que estão à espera de “incentivos” e “apoios” digo apenas que encontrem soluções para esse “problema”. Esse é o primeiro desafio de um empreendedor.

-

P: O Adegga continua, de facto, a crescer?

R: O desenvolvimento do Adegga não tem parado e isso nota-se na atenção que recebemos por parte da comunidade. O Adegga tem vindo a crescer tanto a nível de reconhecimento de marca como em número de utilizadores registados. No entanto, considero que ainda estamos na infância do projecto.

-

P: Mas fica então aquém, corresponde ou supera as vossas previsões e expectativas?

R: Com base no facto de termos optado pelo modelo de bootstrapping para financiamento, as nossas previsões (mais realistas) apontavam para um crescimento orgânico lento mas sustentado. A nível de ganhos calculámos que seriam superiores ao que são neste momento mas havia vários cenários e o crescimento que se tem verificado era um deles.

-

P: O Adegga paga as contas? Quero dizer, ser-vos-ia possível viver de algo como o Adegga?

R: O Adegga tem por agora poucos “revenues”. Além disso todo o dinheiro que entra no Adegga é utilizado para pagar as suas próprias contas. Viver de algo como o Adegga (ou seja, pagar salários) nesta fase só seria possível se tivéssemos investimento externo.

-

P: Quando esperam atingir o break even point?

R:O Adegga deverá ser sustentável dentro de 1 ano, se continuarmos a crescer ao ritmo actual.

-

P: Consideras-te um empreendedor?

R: Se por empreendedor entendes que é uma pessoa que assume responsabilidade pelos riscos seguidos, que toma decisões difíceis, que faz alguns sacrifícios mas tem uma clara visão do que quer, então a resposta é sim. A razão porque te respondo assim, deve-se ao facto de a palavra empreendedor ser utilizada de muitas formas. Quando escrevo nos meus cartões de visita que sou um empreendedor, é a isto que me refiro.

-

P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?

R: Ser empreendedor é ter uma visão para uma oportunidade de negócio e conseguir reunir as condições necessárias para  conseguir executar essa visão.

-

P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, ou seja, achas melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é indiferente?

Não sei a que trajecto te referes mas posso dizer-te, pela minha experiência pessoal, que a passagem pelo SAPO foi muito útil, por várias razões. O SAPO ensinou-me a fazer “omoletes sem ovos” o que nem sempre é fácil. No entanto, cada pessoa é diferente e não existe o “momento certo”, é tudo um questão de oportunidades. Se existe uma oportunidade e sentes que deves agarra-la, go for it.

-

P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto?

Em Portugal acompanho de muito perto os projectos do Bruno Pedro, sendo que estou ligado profissionalmente ao Tarpipe. O Postcrossing é outro dos meu favoritos. O projecto da SHiFT, liderado pelo Pedro Custódio, e do qual faço parte é também um muito interessante exercício de empreendedorismo.

Lá fora, existem algumas referências a nível de projectos como por exemplo o Yelp, o Wikio ou o Etsy. Como empreendedores (e como amigos) tenho, por exemplo, como referência o Thomas Mygdal da 23hq.com e o Laurent Haug da conferência LIFT pelo que têm feito como empreendedores. Mas devo dizer que todos os dias conheço pessoas novas que servem de inspiração pela forma e pela determinação com que fazem o que gostam.

-

P: Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?

Qualquer dos projectos / empreendedores mencionados estão a mudar a forma como outras pessoas interagem entre si e com o Mundo. São líderes e referências nas, muitas vezes solitárias, funções de criar,inovar, quebrar barreiras e ir mais longe.

-

P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades?

R: Temos coisas piores e coisas melhores. É tudo uma questão de abertura e de mentalidade.

-

P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?

Muito provavelmente estarei a criar projectos e a empreender. Não sei se cá, se noutro país. Gosto muito de viver em Portugal mas é muito difícil ser criativo e sem ir “lá fora” apanhar ar.

-

Obrigado André.-

-

-

-

Blog Widget by LinkWithin

Partilhe este post:



  • Twitter
  • FriendFeed
  • Facebook
  • del.icio.us
  • Google Bookmarks
  • Rec6
  • Bitacoras.com
  • Posterous
  • Yahoo! Buzz
  • MySpace
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • Ping.fm
  • Tumblr
  • HelloTxt
  • Identi.ca
  • MisterWong
  • Mixx
  • LinkedIn
  • Sphinn
  • email
  • Print
  • PDF
  • RSS

Tags: , , , , , ,

Gostou deste post? O 2.0 Webmania é actualizado diariamente. Subscreva todos os conteúdos via feed RSS ou via e-mail.


Feed RSS dos comentários realizados a este post  Feed RSS dos comentários a este post


6 reacções a “André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI)”


  1. Rui Costa

    1 year ago

    [post 2.0 Webmania] André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI) http://tinyurl.com/6m5k7j

    Navega com Unknown Unknown em Unknown Unknown
    Topsy plugin for WordPress v1.0.0
    Reply

  2. TekPT

    1 year ago

    :: 2.0 Webmania :: André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI) http://snipurl.com/7s2d5

    Navega com Unknown Unknown em Unknown Unknown
    Topsy plugin for WordPress v1.0.0
    Reply

  3. penelope

    1 year ago

    André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI) (via Tumblr) http://tinyurl.com/56kytz

    Navega com Unknown Unknown em Unknown Unknown
    Topsy plugin for WordPress v0.9.3
    Reply

  4. penelope

    1 year ago

    André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI) (via Tumblr) http://tinyurl.com/56kytz

    Navega com Unknown Unknown em Unknown Unknown
    Topsy plugin for WordPress v1.1.0
    Reply

  5. André Ribeirinho

    1 year ago

    Obrigado Rui pela entrevista. Foi um prazer.

    André

    Navega com Firefox 3.0.4 Firefox 3.0.4 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    Mozilla/5.0 (Macintosh; U; Intel Mac OS X 10.5; en-GB; rv:1.9.0.4) Gecko/2008102920 Firefox/3.0.4
    Reply

1 Trackbacks para este post

  1. Bookmarks de December 10th a December 11th — rodapé & marcadores Escreveu:

    [...] André Ribeirinho no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte VI) [...]

    WordPress 2.6.3 WordPress 2.6.3
    Incutio XML-RPC -- WordPress/2.6.3

Deixe um comentário


XHTML: Pode utilizar as seguintes tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Improve the web with Nofollow Reciprocity.