December 16th, 2008 às 3:00 pm por

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Bruno Pedro no "Portugal 2.0 no ano de 2008" (parte IX)

Bruno Pedro é o fundador e um dos cérebros responsáveis pelo Tarpipe, um projecto carregado interesse e tecnicamente do mais interessantes que se tem tido a oportunidade de ver  surgir em Portugal.

Tem sido, mais recentemente, alvo de uma enorme dose de atenção a nível internacional com referências em blogs como o Read/Write Web, Webware (CNet), LifeHacker, entre muitos outros, mais famosos ou menos famosos mas igualmentes entusiasmados com o aparecimento do Tarpipe.

O Bruno concedeu-me o prazer, a honra e o tempo que me permitiram efectuar-lhe algumas perguntas cujas respostas quero agora partilhar com todos os leitores do 2.0 Webmania.
Fica abaixo o Q&A com o Bruno Pedro.

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P: Como estão a correr as coisas com o Tarpipe? Superam, correspondem ou ficam aquém das tuas expectativas (ainda que seja um pouco prematuro fazer uma avaliação)? A recente e intensa exposição em grandes blogs/sites internacionais foi o empurrão definitivo ou ainda é tudo muito relativo?

A primeira versão do tarpipe foi lançada em Maio de 2008 e foi direccionada a developers através de convite (ver post). Foram estes developers que deram forma às primeiras aplicações e bibliotecas que permitem utilizar o tarpipe a partir de diversas linguagens de programação.

O tarpipe tem seguido uma estratégia de partilha de ideias com os seus utilizadores, da qual sou defensor. Ao longo do tempo fomos verificando que, ao ouvirmos e participarmos nas discussões com os utilizadores, só temos a ganhar porque o serviço fica muito próximo das suas expectativas.

Foi com essa visão em mente que em Outubro decidimos que era a altura de abrir o serviço a qualquer utilizador, ainda como versão beta. Esta abertura proporcionou auscultar opiniões de um leque muito mais alargado de utilizadores, permitindo-nos construir o perfil do utilizador do tarpipe.

A recente exposição mediática internacional veio confirmar que o caminho que estamos a percorrer é, de facto, o correcto. Além disso criou uma muito maior visibilidade ao serviço, dando origem a novas ideias e discussões por parte dos utilizadores. Em termos de adopção ainda é cedo para conseguir medir o impacto desta exposição, mas considero que esteja a ser uma boa alavanca.

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P: Quanto tempo presumes que passe até que atinja o break even point?

Estes sete meses deram para medir o interesse do público em relação ao serviço e para alinhar um percurso a seguir. Ainda é cedo para falarmos em break even pois o serviço ainda se está a aproximar do que será a sua oferta final.

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P: Vives exclusivamente dedicado ao Tarpipe? Se sim e porque presumo que ainda não “pague as contas”, como tem sido aguentar essa situação?

Sim, neste momento vivo. Durante algum tempo fiz alguns trabalhos de consultoria e também me aventurei pela área da formação, mas sempre mantendo o tarpipe em primeiro plano e nunca perdendo o foco.

Uma das formas possíveis para se conseguir sair da situação em que temos um emprego fixo é utilizando a técnica do “Fuck-you money”. Fiz uma apresentação no último Barcamp precisamente sobre este tema e as reacções foram bastante positivas.

Resumidamente, o plano consiste em fazer poupanças (sim, algo raro para muita gente) durante algum tempo até existir a quantia suficiente para estarmos algum tempo (meses ou até mesmo anos) sem precisar de quaisquer receitas.

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P: Estás a trabalhar exclusivamente com capitais próprios, i.e., pessoais?

Não. Utilizei as poupanças que já tinha referido e entretanto conseguimos obter seed capital. Estamos neste momento a finalizar este processo, pelo que é prematuro revelar mais detalhes.

Entretanto já estou a trabalhar na obtenção da próxima ronda de investimento. Enquanto que este primeiro investimento serve sobretudo para o arranque e validação do serviço junto ao público, a segunda ronda já foca o crescimento, tanto do ponto de vista comercial como do ponto de vista operacional.

Fund-raising é, só por si, um emprego a full-time. Quero deixar o aviso à navegação para se prepararem para ouvir muitas vezes a palavra “não” sem nunca perder a confiança no que estão a fazer. Persistência, contactos e criatividade são as palavras chave durante todo este processo.

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P: É ou não possível viver única e exclusivamente de um projecto (startup) em Portugal?

Sim, é. Não é fácil conseguir atravessar a fase inicial em que tudo ainda é uma incógnita mas, com alguma perseverança e força de vontade, é possível chegar mais longe ao ponto em que existe de facto rentabilidade.

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P: Consideras-te um empreendedor?

Sim, considero-me empreendedor na medida em que estou a agir para materializar uma ideia inicial.

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P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?

Ser um empreendedor é, teoricamente, fácil. O difícil é viver o dia-a-dia na pele de um empreendedor. Já tinha escrito um pouco sobre isto e deixo aqui algumas características que considero fundamentais:

- Criatividade: O empreendedor é, por natureza, criativo. O empreendedor actua para além dos limites dos meios colocados à sua disposição, usando a criatividade para atingir os seus objectivos.

- Realização: O desejo de realização pessoal é um dos principais factores que motivam o empreendedor. Muitas vezes mais importante que o ganho financeiro está a realização pessoal.

- Perseverança: O empreendedor não desiste enquanto não conseguir alcançar o seu objectivo, por mais adversidades que lhe sejam apresentadas.

Ser empreendedor é, resumidamente, tomar acção. É conseguir materializar uma ideia. É fazer tudo o que seja necessário para que os objectivos sejam cumpridos.

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P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, ou seja, acham melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é absolutamente indiferente?

Não, pelo contrário. A altura da vida em que se está a terminar os estudos é a mais apropriada para tentar materializar uma ideia ou um projecto numa startup. A ideia de que todos temos que ter um emprego numa grande empresa está errada e leva-nos a assumir que criar uma startup é altamente arriscado e que só os que não conseguem bons empregos é que o fazem.

Quanto mais tempo esperarmos para avançar com uma ideia ou um sonho, maiores são as probabilidades de não o tentarmos fazer, porque a força de vontade diminui, as responsabilidades pessoais e familiares aumentam, e a aparência de que é um risco largar tudo impede-nos de tentar.

O maior risco não está em tentar avançar com um projecto. O maior risco está em continuar quieto pensando que se está numa posição perfeitamente segura. Veja-se, por exemplo, a quantidade de despedimentos em grandes empresas nos últimos tempos. Isso é que é um risco.

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P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto em Portugal?

Acompanho de perto alguns serviços já materializados: o Adegga, onde sou advisor, e o Destakes. Acompanho também de um ponto de vista mais tecnológico todas as iniciativas e projectos relacionados com Instant Messaging, nomeadamente as soluções implementadas pelo Pedro Melo.

Vejo algo interessante a surgir no universo de startups portuguesas: a diversidade da oferta de serviços está a aumentar. A diversidade é um factor fundamental no crescimento de qualquer ecossistema e o seu aumento é um sinal que o ecossistema de startups está a fortificar-se.

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P: Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?

Se tivesse recursos para isso, faria sem hesitações duas ofertas de investimento tanto no Adegga como no Destakes.

O Adegga tem um potencial de crescimento interessante, muito para além do que é visível agora. É um serviço facilmente monetizável de diversas formas, e já está internacionalizado, o que é só por si uma vantagem.

Já o Destakes, apesar de se focar no mercado nacional, possui algo difícil de se obter em pouco tempo: o acesso a bastante informação. Imagino uma série de formas de monetizar esse acesso à informação e de capitalizar o que os seus utilizadores pesquisam e lêem.

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P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades? Caso contrário o que falta em Portugal afinal?

Trata-se sobretudo de uma questão de mentalidades. Nós portugueses não conseguimos lidar bem com o sucesso dos outros e, em vez de querermos imitar esse sucesso, preferimos que os outros falhem. Isto tem vindo a mudar lentamente e essa mudança revela-se na fase que atravessamos de aumento de startups.

Obviamente que este ambiente torna difícil ganhar vontade de experimentar criar uma startup, mas isso não impede que alguns o façam.

Várias vezes tenho afirmado que o empurrão que faz falta neste momento é haver algumas startups portuguesas que consigam ter sucesso fora de Portugal. Isso levantará a moral de muita gente e reforçará a ideia de que “afinal é possível”.

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P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?

Isso é uma grande incógnita. Gostaria de, daqui a 10 anos, estar a fazer exactamente o que estou a fazer agora: a criar uma startup e a viver, no dia-a-dia, a concretização das minhas ideias.

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P: E Portugal? Vai estar no mesmo “sítio” ou vamos entretanto dar o salto?

Portugal já está a dar o salto. A questão é mais: quem vai ficar lá em baixo?

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Obrigado Bruno Pedro.



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7 Respostas a “Bruno Pedro no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte IX)”


  1. Bruno Pedro

    3 years ago

    Obrigado pela oportunidade!

    É sempre um prazer trocar opiniões e divulgá-las à comunidade.

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  2. RC

    3 years ago

    Foi um prazer ter-te por estas bandas.
    Abraço.

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  3. ruijscosta

    3 years ago

    [bmark] Bruno Pedro no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte IX) http://tinyurl.com/6ftanc

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  4. Rui Costa

    3 years ago

    [bmark] Bruno Pedro no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte IX) http://tinyurl.com/6ftanc

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  5. Rui Costa

    2 years ago

    [post 2.0 Webmania] Bruno Pedro no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte IX) http://tinyurl.com/6564ll

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  6. Rui Costa

    2 years ago

    [post 2.0 Webmania] Bruno Pedro no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte IX) http://tinyurl.com/6564ll

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  7. antonio batista

    1 year ago

    Sou empresário e queria diversificar o meu negócio através de um parceiro com capacidade inovadora.Estou disposto a financiar uma startup
    posiciono-me com grandes conhecimentos no mercado angolano.
    Quem está disposto a pensar no assunto?
    Aceitam-se parceiros

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