
Carlos Jorge Alves é um dos fundadores do FACEinHOLE, um projecto carregado de boa disposição e que, um pouco contra a maré que teima em afogar a grande maioria dos projectos nacionais, tem assumido um protagonismo e alcançado uma notoriedade internacional a todos os títulos excepcional.
O Carlos Alves concedeu-me o prazer e a honra de ver respondidas algumas perguntas acerca do FACEinHOLE e acerca da sua visão do empreendedorismo em Portugal e um pouco todo o mundo. Ficam abaixo as respostas.
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P: Como estão a correr as coisas com o FACEinHOLE? Supera, corresponde ou ficam aquém das vossas expectativas?
R: Supera. De longe. Tem realmente sido um crescimento muito exponencial e as coisas têm acontecido muito depressa.
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P: Vivem exclusivamente dedicados ao FACEinHOLE? Se sim o FACEinHOLE já “paga as contas”?
R: Ainda não. Mas já começam a existir sérios planos para que isso aconteça.
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P: Estão a trabalhar exclusivamente com capitais próprios, i.e., pessoais?
R: Sim. O projecto é self-funded.
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P: É ou não possível viver única e exclusivamente de um projecto startup) em Portugal?
R: Pensamos que sim mas apenas se o âmbito do projecto for internacional. Com um âmbito internacional qualquer nicho supera, no mínimo, em 10, 20 vezes todo o mercado nacional… Se o target for o mercado português parece-nos bastante complicado embora não impossível.
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P: Consideram-se empreendedores?
R: Sim. Enfiamos essa carapuça.
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P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?
R: Consideramos que o termo empreendedor se aplica a quem, por iniciativa própria, decide criar algo de novo, original e inovador. Dito isto é muito complicado conseguir levantar e sustentar projectos que nos primeiros meses(anos) não terão lucros e pensamos que esse é o grande problema das startups 2.0 em Portugal.
Enquanto no estrangeiro existe uma cultura de risco bastante mais elevada onde os próprios empreendedores investem bastante do seu património nos seus projectos (muitos até vendem a própria casa) em Portugal é muito mais valorizada a “estabilidade” e a “segurança”.
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P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, i.e., acham melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é absolutamente indiferente?
R: A nossa experiência foi a de trabalhar bastantes anos em empresas antes de começarmos a dar passos por conta própria.
Mesmo trabalhando para outras pessoas a postura de empreendedor pode e deve estar presente. Criar, inovar, fazer acontecer são tarefas que não são exclusivas de empresários mas também de qualquer profissional que queira fazer melhor e diferente. Achamos que essa capacidade de empreender é algo que se aprende e se desenvolve e que, depois de já se conseguir fazê-la bem, começa a perder sentido colocá-la em prol de outros.
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P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanham mais de perto em Portugal?
R: Seguimos várias startups interessantes e inovadoras mas nem sequer sabemos qual a nacionalidade dos seus promotores (se calhar alguns até são portugueses). Achamos mesmo que o interessante da web 2.0 é esta facilidade com que nos colocamos em contacto com pessoas de todo o mundo, de todo o tipo de background e como trabalhamos e desenvolvemos projectos em conjunto.
Dito isto conhecemos projectos portugueses bastante interessantes como a Blue Pacific Software e o Adegga.
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P: Investiriam de forma confiante em algum deles e porquê?
R: Sim… Acreditamos em projectos que existam e funcionem e esses claramente funcionam. Já teríamos mais dúvidas em projectos onde não exista nada palpável. Projectos no papel assustam sempre mais…
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P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades? Caso contrário o que falta em Portugal afinal?
R: Em Portugal foi incutido um espírito de completa aversão ao risco e de falta de confiança nas suas capacidades (o tal o que é feito lá fora é que é bom). Enquanto no estrangeiro os empreendedores acreditam e investem nos seus projectos (são várias as histórias de quem vende a casa para apostar na sua empresa) por cá há a valorização da “segurança”, da “estabilidade” que por vezes se traduz em frustação.
No entanto enquanto em outros países existe uma verdadeira indústria de Venture Capital que incentiva, controla e apoia o desenvolvimento de startups por cá há apenas o velho Estado que por vezes se lembra de “apoiar o empreendedorismo” e distribui uns milhares de euros que nunca ninguém sabe onde e como acabam…
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P: Achas que terão a mesma profissão daqui a 10 anos e estarão a viver no mesmo país?
R: Com certeza apenas nos vemos a trabalhar em projectos nossos mas claramente na mesma área.
Gostamos bastante do nosso país e faremos todos os esforços para nos mantermos embora nos dias que correm tal nunca poderia ser uma garantia.
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P: Portugal? Vai estar no mesmo “sítio” ou vamos entretanto dar o salto?
R: Não temos dúvidas que os portugueses vão dar o salto. Cada vez há mais gente com mais capacidade e mais criatividade. Resta saber é se Portugal consegue reter todo esse talento por cá. Somos um país feito à imagem do fracasso e do insucesso e a verdade é que interessa a muita gente que assim continue no entanto vemos que existem cada vez mais pessoas a resistir à tentação de emigrar e a remar contra a maré.
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Obrigado Carlos Alves e ao FaceinHole.
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December 9th, 2009 at 17:02
[...] equipa do mundialmente famoso FaceinHole.com, cuja entrevista com o Carlos Alves poderá ler também no Webmania, lançou mais um projecto dentro da mesma temática e carregado da boa disposição que é já [...]