Escrito em December 9th, 2008 às 5:00 pm por RC

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Carlos Andrade no "Portugal 2.0 no ano de 2008" (parte III)

Quando iniciei o contacto com alguns dos empreendedores e developers que – afinal – temos no nosso país tinha a intenção única de recolher fragmentos que pudesse utilizar na construção de um terceiro post que colocasse praticamente um ponto final nesta série que teve início a 27 de Outubro e continuidade a 17 de Novembro com o “Portugal 2.0 no ano de 2008 ou Ainda o Codebits”.

A verdade é que graças às tão completas respostas com que cada um dos convidados me presenteou não me senti capaz de cortar ou até alterar qualquer palavra. Fica também o agradecimento ao Nuno Fernandes que sugeriu a colocação absolutamente não-censurada de todas as respostas.

Começo por isso este post com a série de perguntas e respostas que coloquei ao Carlos Andrade.

O Carlos Andrade é um dos mais conhecidos e reconhecidos developers e empreendedores do nosso país. Alia excelentes conhecimentos técnicos a bem esclarecidas noções de mercado e é muito por isso uma das vozes que vamos escutando com mais atenção em tudo o que a tecnologias web diz respeito.

É o criador de projectos como o ITJobs, Hispanocast e Lusocast mas é principalmente conhecido pelo excepcional Destakes, um projecto que não passa despercebido a ninguém e que continua a dar cartas.

O Carlos concedeu-me o prazer, a honra e o tempo que me permitiu efectuar algumas perguntas cujas respostas quero agora partilhar com todos os leitores do 2.0 Webmania.

Fica abaixo o Q&A com o Carlos:

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P: O Destakes é um marco reconhecido por todos no que diz respeito à nova vaga de serviços e webapps desenvolvidas em Portugal. O projecto já tem uns anos e até tu já passaste por muitas outras aventuras, mas, a verdadeira questão é: não deveriam outros “marcos” ter surgido desde então?

R: Sim, também tenho essa ideia. Honestamente, não sei o que é que esta juventude anda a fazer. O ITJobs e o Destakes (e outras brincadeiras) surgiram no meu tempo livre quando já trabalhava, nem sequer foi no tempo livre da universidade. E nem se trata de estar fechado em casa sem sair e divertir.

Com os recursos e conhecimentos que hoje se têm, não percebo como não aparecem mais coisas. O que geralmente aparece são cópias de outros serviços e em cima de scritps open-source disponíveis na net.

Não sei onde está a malta que teria capacidade para fazer estas coisas… Se no Codebits em 2 dias se fazem coisas tão engraçadas, não sei como é que não aparece nada durante todo o ano.

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P: O Destakes tem ainda por onde crescer ou entrou definitivamente em velocidade de cruzeiro?

R: O Destakes está parado por falta de tempo. Vai ter contas de utilizadores, vai permitir comentários a todas as notícias (sucesso relativo) e vai ter alertas por email (como o google tem). Aliás, tudo isto já está feito, falta limar detalhes.

Há depois duas ou três ideias que podem encaixar no Destakes, mas como te digo… o Destakes não é um emprego full time. ;-)

Outra coisa que teria muita piada seriam os alertas via SMS… mas ainda não descobri como isto pode ser viável em termos financeiros (mesmo impondo limites).

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P: O Destakes “paga as contas,” ou seja, sucesso significa ganhos significativos em termos financeiros ou falamos mais de notoriedade do que de outra coisa?

R: Tanto o ITJobs como o Destakes, neste momento, pagam claramente as contas… e sobra.

O objectivo é pagarem-me o salário. Nesta fase da vida, estou a limpar as coisas e os que não pagam as contas nem justificam a sua existência são o Lusocast/Hispanocast que até ao fim do ano saem do ar (se não acontecer nada até lá).

Ficas com a notícia em primeira mão. ;-)

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P: Consideras-te um empreendedor?

R: Pela definição sim… acho que somos todos os que tentam fazer algo.
Não uso é o termo como “job title” como muitos o fazem. Costumo citar o Ted Turner neste aspecto… My son is now an ‘”entrepreneur’” That’s what you’re called when you don’t have a job.

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P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?

R: Menos treta e mais obra. Há quem comece ao contrário, ir ao Linkedin por lá “empreendedor” e depois tentar fazer algo.

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P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, i.e., achas melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é indiferente?

R: Depende de muita coisa, das circunstâncias. Aliás, eu posso ser um empreendedor no SAPO ou numa qualquer outra empresa. Isso do “empreendedor” não significa, largar tudo e criar algo.

Há muitos e bons empreendedores dentro das empresas sem negócio próprio. De qualquer maneira, eu experimentava primeiro trabalhar para terceiros, seja um SAPO ou uma startup pequena. Aprende-se sempre muito.

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P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto em Portugal?

R: Nenhum de forma especial. O que vou conhecendo ou o que sei, vai-me chegando ou por amigos, notícias ou pelo que vou lendo. Geralmente os melhores não tem grande presença na web, nem vão a conferências ou encontros, nem fazem muito barulho… e quase sempre são os que fazem dinheiro ao invés de o torrarem com estilo.

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P: Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?

R: Sim, em uma ou duas que conheço (estou a trabalhar nas instalações de uma delas em Coworking), mas nenhuma ia querer o meu dinheiro. É que fazem dinheiro e clientes todos os dias e não precisam de grandes injecções ao contrário de outras mais conhecidas que parecem ter sido criadas apenas com o propósito de serem compradas.

Nessas, em que ao fim de um ano ainda não se percebe como vão pagar as contas, não apostava… a não ser que quisesse jogar na roleta do “será que vão ser comprados?”. Para isso há sempre a bolsa.

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P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades?

R: Honestamente não sei o que nos falta. Faltam sempre coisas, se não faltassem era fácil demais, mas nada que implique o constante discurso do “não investem em nós”.

Muitos queixam-se que não há capital de risco. Muitos não arriscam ou começam um projecto porque querem desde o dia um, um salário. Eu percebo isso… em certas fases da vida é complicado arriscar tanto com contas para pagar.
Mas por isso é que se chama risco.

Sim, cá o capital de risco não existe… É mais o capital de muito pouco ou quase nulo risco. Muitos projecto que conheço começaram e podem começar nos tempos livres… mas há quem queira começar em grande, logo com escritório montado.

Depois também é uma questão de mentalidades. É muito complicado convencer pessoas a largarem o seguro por um risco. Mesmo conciliando… muitas pessoas, nem em part-time querem ir montando um projecto. Ou porque estão bem e não querem trabalhar mais ou perder fins de semana/noites, ou porque querem ganhar algo desde o dia um.

Isso é muito complicado de combater. Depois perdem o emprego por esta ou aquela razão e já estão prontos para tudo.

A mim já me disseram há uns anos que eu “brincava aos sites”. Sabendo o que sabem hoje, talvez tivessem aceite a ideia há uns anos.

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P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?

R: Daqui a 10 anos estarei a viver neste país, seguramente, e de preferência reformado.
É uma ideia estranha já que não conheço ninguém com 45 anos a fazer o que eu faço hoje… existem programadores, mas esta área da web apareceu nos últimos 10 anos, e mal se sabe o que ao que vem. Anda aí um estudo que diz que as profissões mais requisitadas no futuro foram inventadas há 4 anos.

Mas sim, reformado ou não, daqui a 10 anos quero continuar nesta área(ou algo derivado)… ou então abro um pronto a vestir. ;-)

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P: E projectos novos? Quais e para quando?

R: Coisas novas no Destakes e reformular o ITJobs de cima a baixo. Outras coisas só com mais tempo…

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Obrigado Carlos e até breve.
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:.:.::

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15 Responses to “Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III)”


  1. Rui Costa

    1 year ago

    [post 2.0 Webmania] Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III) http://tinyurl.com/5e8e9t

    Reply

  2. Marcello Manso

    1 year ago

    Ótima entrevista. Achei muito informativa.

    Reply

  3. Pmarques

    1 year ago

    Faço minhas as palavras do Marcello.
    Altamente informativa.

    Reply

  4. Paulo Simões

    1 year ago

    Via Webmania Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III):
    Quando iniciei o contacto.. http://twurl.nl/b4udhk

    Reply
  5. [ my google ] Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III):
    Quando iniciei o contac.. http://tinyurl.com/5e8e9t

    Reply

  6. RC

    1 year ago

    @Marcello, @PMarques obrigado pela visita e comentários.
    A culpa disto tudo é sua Marcello :D

    Abraço

    Reply

  7. penelope

    1 year ago

    Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III) (via Tumblr) http://tinyurl.com/5e8e9t

    Reply

  8. Bruno

    1 year ago

    Grande continuação :grin:
    :idea: Vai haver mais gente a ser entrevistada? :idea:
    Parabens

    Reply

  9. RC

    1 year ago

    @Bruno Obrigado. Sim. Aliás está mais ou menos explícito no primeiro parágrafo do post.

    Reply

  10. Anselmo

    1 year ago

    Trabalhei com o Carlos à alguns anos, ainda era eu muito verde nestas coisas da internet. Que era um bom developer já sabia, no entanto não lhe conhecia esta faceta de empreendedor com grandes ideias.

    Reply

  11. Pedro Sousa

    1 year ago

    Boa entrevista, muito inspiradora.

    Reply

  12. RC

    1 year ago

    @Anselmo em que ano foi isso? Lembras-te?

    @Pedro Sousa espero bem que sim, que sejam inspiradoras para quem já cá anda e para quem está para chegar :D

    Abraço

    Reply

  13. Carlos Andrade

    1 year ago

    Viva Anselmo! Long time no see. :)

    @RC Foi em 2005… na NetInedita (em Gaia, acho que já faliu). A experiência profissional mais surreal que alguma vez tive. Foi onde conheci tb o Nuno Mariz. :)

    Reply

2 Trackbacks For This Post

  1. FixolaS Says:

    Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″…

    Entrevista a Carlos Andrade, criador do Destakes, ITJobs entre outros projectos. Fique a conhecer a sua visão do empreendedorismo nacional, os seus planos para o Destakes e ITJobs e muito mais….

  2. Bookmarks de December 5th a December 9th — rodapé & marcadores Says:

    [...] Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III) [...]

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