
Quando iniciei o contacto com alguns dos empreendedores e developers que – afinal – temos no nosso país tinha a intenção única de recolher fragmentos que pudesse utilizar na construção de um terceiro post que colocasse praticamente um ponto final nesta série que teve início a 27 de Outubro e continuidade a 17 de Novembro com o “Portugal 2.0 no ano de 2008 ou Ainda o Codebits”.
A verdade é que graças às tão completas respostas com que cada um dos convidados me presenteou não me senti capaz de cortar ou até alterar qualquer palavra. Fica também o agradecimento ao Nuno Fernandes que sugeriu a colocação absolutamente não-censurada de todas as respostas.
Começo por isso este post com a série de perguntas e respostas que coloquei ao Carlos Andrade.
O Carlos Andrade é um dos mais conhecidos e reconhecidos developers e empreendedores do nosso país. Alia excelentes conhecimentos técnicos a bem esclarecidas noções de mercado e é muito por isso uma das vozes que vamos escutando com mais atenção em tudo o que a tecnologias web diz respeito.
É o criador de projectos como o ITJobs, Hispanocast e Lusocast mas é principalmente conhecido pelo excepcional Destakes, um projecto que não passa despercebido a ninguém e que continua a dar cartas.
O Carlos concedeu-me o prazer, a honra e o tempo que me permitiu efectuar algumas perguntas cujas respostas quero agora partilhar com todos os leitores do 2.0 Webmania.
Fica abaixo o Q&A com o Carlos:
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P: O Destakes é um marco reconhecido por todos no que diz respeito à nova vaga de serviços e webapps desenvolvidas em Portugal. O projecto já tem uns anos e até tu já passaste por muitas outras aventuras, mas, a verdadeira questão é: não deveriam outros “marcos” ter surgido desde então?
R: Sim, também tenho essa ideia. Honestamente, não sei o que é que esta juventude anda a fazer. O ITJobs e o Destakes (e outras brincadeiras) surgiram no meu tempo livre quando já trabalhava, nem sequer foi no tempo livre da universidade. E nem se trata de estar fechado em casa sem sair e divertir.
Com os recursos e conhecimentos que hoje se têm, não percebo como não aparecem mais coisas. O que geralmente aparece são cópias de outros serviços e em cima de scritps open-source disponíveis na net.
Não sei onde está a malta que teria capacidade para fazer estas coisas… Se no Codebits em 2 dias se fazem coisas tão engraçadas, não sei como é que não aparece nada durante todo o ano.
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P: O Destakes tem ainda por onde crescer ou entrou definitivamente em velocidade de cruzeiro?
R: O Destakes está parado por falta de tempo. Vai ter contas de utilizadores, vai permitir comentários a todas as notícias (sucesso relativo) e vai ter alertas por email (como o google tem). Aliás, tudo isto já está feito, falta limar detalhes.
Há depois duas ou três ideias que podem encaixar no Destakes, mas como te digo… o Destakes não é um emprego full time. ;-)
Outra coisa que teria muita piada seriam os alertas via SMS… mas ainda não descobri como isto pode ser viável em termos financeiros (mesmo impondo limites).
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P: O Destakes “paga as contas,” ou seja, sucesso significa ganhos significativos em termos financeiros ou falamos mais de notoriedade do que de outra coisa?
R: Tanto o ITJobs como o Destakes, neste momento, pagam claramente as contas… e sobra.
O objectivo é pagarem-me o salário. Nesta fase da vida, estou a limpar as coisas e os que não pagam as contas nem justificam a sua existência são o Lusocast/Hispanocast que até ao fim do ano saem do ar (se não acontecer nada até lá).
Ficas com a notícia em primeira mão. ;-)
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P: Consideras-te um empreendedor?
R: Pela definição sim… acho que somos todos os que tentam fazer algo.
Não uso é o termo como “job title” como muitos o fazem. Costumo citar o Ted Turner neste aspecto… My son is now an ‘”entrepreneur’” That’s what you’re called when you don’t have a job.
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P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?
R: Menos treta e mais obra. Há quem comece ao contrário, ir ao Linkedin por lá “empreendedor” e depois tentar fazer algo.
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P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, i.e., achas melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é indiferente?
R: Depende de muita coisa, das circunstâncias. Aliás, eu posso ser um empreendedor no SAPO ou numa qualquer outra empresa. Isso do “empreendedor” não significa, largar tudo e criar algo.
Há muitos e bons empreendedores dentro das empresas sem negócio próprio. De qualquer maneira, eu experimentava primeiro trabalhar para terceiros, seja um SAPO ou uma startup pequena. Aprende-se sempre muito.
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P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanhas mais de perto em Portugal?
R: Nenhum de forma especial. O que vou conhecendo ou o que sei, vai-me chegando ou por amigos, notícias ou pelo que vou lendo. Geralmente os melhores não tem grande presença na web, nem vão a conferências ou encontros, nem fazem muito barulho… e quase sempre são os que fazem dinheiro ao invés de o torrarem com estilo.
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P: Investirias de forma confiante em algum deles e porquê?
R: Sim, em uma ou duas que conheço (estou a trabalhar nas instalações de uma delas em Coworking), mas nenhuma ia querer o meu dinheiro. É que fazem dinheiro e clientes todos os dias e não precisam de grandes injecções ao contrário de outras mais conhecidas que parecem ter sido criadas apenas com o propósito de serem compradas.
Nessas, em que ao fim de um ano ainda não se percebe como vão pagar as contas, não apostava… a não ser que quisesse jogar na roleta do “será que vão ser comprados?”. Para isso há sempre a bolsa.
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P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades?
R: Honestamente não sei o que nos falta. Faltam sempre coisas, se não faltassem era fácil demais, mas nada que implique o constante discurso do “não investem em nós”.
Muitos queixam-se que não há capital de risco. Muitos não arriscam ou começam um projecto porque querem desde o dia um, um salário. Eu percebo isso… em certas fases da vida é complicado arriscar tanto com contas para pagar.
Mas por isso é que se chama risco.Sim, cá o capital de risco não existe… É mais o capital de muito pouco ou quase nulo risco. Muitos projecto que conheço começaram e podem começar nos tempos livres… mas há quem queira começar em grande, logo com escritório montado.
Depois também é uma questão de mentalidades. É muito complicado convencer pessoas a largarem o seguro por um risco. Mesmo conciliando… muitas pessoas, nem em part-time querem ir montando um projecto. Ou porque estão bem e não querem trabalhar mais ou perder fins de semana/noites, ou porque querem ganhar algo desde o dia um.
Isso é muito complicado de combater. Depois perdem o emprego por esta ou aquela razão e já estão prontos para tudo.
A mim já me disseram há uns anos que eu “brincava aos sites”. Sabendo o que sabem hoje, talvez tivessem aceite a ideia há uns anos.
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P: Achas que terás a mesma profissão daqui a 10 anos e estarás a viver no mesmo país?
R: Daqui a 10 anos estarei a viver neste país, seguramente, e de preferência reformado.
É uma ideia estranha já que não conheço ninguém com 45 anos a fazer o que eu faço hoje… existem programadores, mas esta área da web apareceu nos últimos 10 anos, e mal se sabe o que ao que vem. Anda aí um estudo que diz que as profissões mais requisitadas no futuro foram inventadas há 4 anos.Mas sim, reformado ou não, daqui a 10 anos quero continuar nesta área(ou algo derivado)… ou então abro um pronto a vestir. ;-)
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P: E projectos novos? Quais e para quando?
R: Coisas novas no Destakes e reformular o ITJobs de cima a baixo. Outras coisas só com mais tempo…
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Obrigado Carlos e até breve.
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December 9th, 2008 at 18:15
Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″…
Entrevista a Carlos Andrade, criador do Destakes, ITJobs entre outros projectos. Fique a conhecer a sua visão do empreendedorismo nacional, os seus planos para o Destakes e ITJobs e muito mais….
December 9th, 2008 at 21:02
[...] Carlos Andrade no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte III) [...]