
Celso Pinto (CP) e Vitor Domingos (VD) são os dois rostos mais visíveis por detrás do Handivi, projecto da 7syntax a empresa que lhe serve de base e que inclui ainda Ruben Fonseca e Nuno Loureiro nas suas fileiras.
“Handivi is all about sharing experiences with a mobile phone. It’s a service, with a big focus on usability and ubiquity, for young people who grew up with technology allowing them to explore new ways of expressing themselves, communicate with others and always be “in the know” about their friends social life.
Using Handivi’s messaging and social features, everyone can broadcast anything first hand and track what’s happening all around the world.”
Tanto o Celso como o Vitor possuem uma relativamente extensa e variada experiência profissional no C.V. e parecem agora apostados em colocar toda essa bagagem ao serviço do Handivi.
Porque durante este ano de 2008 foram, juntamente com o Adegga (2007) e o Tarpipe, um dos projectos que mais fez mexer o panorama dos projectos web nacionais, quis saber um pouco mais acerca das suas expectativas de futuro e da sua visão de empreendedorismo.
Fica abaixo o resultado do Q&A:
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P: Como estão a correr as coisas com o Handivi? Supera, corresponde ou ficam aquém das vossas expectativas (ainda que seja um pouco prematuro fazer uma avaliação)?
É prematuro fazer avaliação, mas está a corresponder positivamente à fase de testes de dispositivos e funcionalidades.
P: Quanto tempo presumem que passe até que atinja o break even point?
Depende de imensos factores, esperamos ver essa questão resolvida nos próximos 12 meses.
P: Vivem exclusivamente dedicados ao Handivi? Como presumo que ainda não “pague as contas”, como tem sido aguentar essa situação?
A recessão em que vivemos afecta todos, mas sabemos que podemos ajudar os consumidores móveis a baixar o custo de comunicações, aumentando e democratizando a capacidade social deles, num serviço fiável, intuitivo, integrado e ubíquo.
P: Estão a trabalhar exclusivamente com capitais próprios, i.e., pessoais?
Financiamento privado português
P: É ou não possível viver única e exclusivamente de um projecto ou startup em Portugal?
VD: Nim. é complicado pensar num mercado unicamente português, mas perfeitamente viável num mercado europeu ou mundial.
CP: eu acho que sim, o SAPO provou que é possível. E a Critical Software. E a YDreams. E a… enfim, existem um bom número de empresas nacionais que conseguiram crescer em Portugal. Agora, não é à mesma escala do que existe em Londres ou S. Francisco.
P: Consideram-se verdadeiros empreendedores?
VD: Não. Somos todos empreendedores, familiares, sociais, empresariais, etc.
CP: Pessoalmente não ligo muito a esse termo, existem N definições de empreendedorismo, cada um parece que tem a sua.
P: Que fibra é necessária para se ser empreendedor em Portugal? ou Que diabo é isso de ser “empreendedor”?
VD:
- para as características e fibra: pessoas, projecto e entrega (nesta ordem) sem aversão ao risco.
- ser empreendedor: vide acima, mas baseia-se em projectar algo que seja relevante (pessoalmente, familiarmente, socialmente, empresarialmente), concretizar com ou sem sucesso. Parafraseando a Nike, é o “do it”.CP: Para mim são absolutamente necessárias entrega, honestidade e transparência.
P: É um risco demasiado grande iniciar logo o trajecto pela postura de empreendedor, ou seja, acham melhor começar por trabalhar para uma empresa como por exemplo o SAPO e só depois dar o salto ou é absolutamente indiferente?
VD: Ser empreendedor sem assumir riscos é ser-se falso empreendedor.
CP: o SAPO não é o melhor exemplo, é um caldeirão de talento e são um grupo de pessoas relativamente pequeno. Se me perguntasses se o melhor é começar a trabalhar para uma consultora diria que não, não acredito nisso, é demasiado cinzento. Diz-se por aí, e eu concordo, que a melhor altura para tentar levantar uma empresa é logo a seguir à universidade, ainda se é novo, tem-se alguma liberdade de movimentos, etc.
P: Que projectos, startups e/ou empreendedores acompanham mais de perto em Portugal?
CP: Bom, lista incompleta: as “brincadeiras” do Carlos Andrade, as “brincadeiras” do Nuno Mariz, o trabalho da WeBreakStuff, Adegga e o Tarpipe. Estou também muito atento a um grupo de pessoas que apresentaram o projecto Eidos no Codebits 2008.
P: Investiriam de forma confiante em algum deles e porquê?
VD: No prt.sc, porque faz falta e é-nos útil.
CP: Eidos porque estão apostados em fazer evoluir a forma como as empresas funcionam internamente e no Adegga porque acho que deviam fazer um “push” para se tornar a Amazon dos vinhos (wink wink)
P: Há de facto razões para sermos os choramingões do costume que “não temos isto nem aquilo” ou trata-se apenas de uma questão de mentalidades? Caso contrário o que falta em Portugal afinal?
VD: Faz bem ser-se “choramingões”, significa que estamos a comparar coisas, estamos com objectivos, mas tipicamente em Portugal para-se ai e não se faz nada para alterar esse rumo. essa é a diferença.
CP: Faltam em Portugal casos de sucesso, entre outras coisas. Acho que falta uma rede de apoio/aconselhamento, lá fora há open coffee’s, meetup’s, dev days, barcamps, etc. etc. etc., cá em portugal o “almocinho 1 para 1″ ainda é a norma.
P: Acham que terão a mesma profissão daqui a 10 anos e estarão a viver no mesmo país?
VD: não faço previsões a mais de 3 anos :)
CP: provavelmente não.
P: E Portugal? Vai estar no mesmo “sítio” ou vamos entretanto dar o salto?
VD: vai haver um salto, sem dúvida, falta saber se é em frente, para cima ou para trás.
CP: Daqui por 10 anos? Acredito que no mesmo sítio, a enfrentar os mesmos problemas.
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Fica o sincero agradecimento aos dois. Bem sei que o tempo não sobra.








10 Respostas a “Celso Pinto e Vitor Domingos no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte X)”
Rui Costa
3 years ago
[post 2.0 Webmania] Celso Pinto e Vitor Domingos no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte X) http://tinyurl.com/3hca9c
Bruno
3 years ago
Boa entrevista. Parecem estar bem encaminhados.
Ainda não percebi muito bem para que serve o Handivi :?:
Vitor Domingos
3 years ago
Fica o sincero agradecimento aos dois. Bem sei que o tempo não sobra.
Obrigado nós pela oportunidade de falarmos um pouco sobre o projecto, apesar do negativismo natural sobre o panorama de startups em portugal, convém salientar o facto de acreditarmos ser possivel criar startups e é isso que importa.
Rui Costa
3 years ago
[post 2.0 Webmania] Celso Pinto e Vitor Domingos no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte X) http://tinyurl.com/3hca9c
RC
3 years ago
@Vitor Sem dúvida nenhuma Vitor. É necessário que alguém acredite, que alguém faça e que alguém arrisque.
Carlos Andrade
3 years ago
A resposta à pergunta…
“Vivem exclusivamente dedicados ao Handivi? Como presumo que ainda não “pague as contas”, como tem sido aguentar essa situação?”
foi trocada por engano ou simplesmente não foi respondida ?
Vitor Domingos
3 years ago
Carlos,
Bom, podiamos ter sido mais explicitos, mas a resposta está na pergunta seguinte. Vivemos exclusivamente do handivi.
RC
3 years ago
@Carlos Está tal e qual como foi respondida.
Rui Costa
3 years ago
[bmark] Celso Pinto e Vitor Domingos no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte X) http://tinyurl.com/5xb5zo
Rui Costa
3 years ago
[bmark] Celso Pinto e Vitor Domingos no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte X) http://tinyurl.com/5xb5zo