Escrito em December 19th, 2008 às 2:55 pm por RC

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José Carlos Joaquim no "Portugal 2.0 no ano de 2008" (parte XI)

O José Carlos Joaquim é daquelas pessoas por quem é impossível não ter uma elevada consideração e respeito. É um homem com um “H” dos maiores que já vi, alguém com quem se pode contar, um tipo de processos simples mas altamente eficazes. Conheci-o electronicamente durante o período em que fiz parte do PlanetGeek e tive ainda a oportunidade de o ter visto à frente desse projecto.

Pessoalmente conheci-o durante um almoço em Lisboa a propósito de um tal MBP. A excelente impressão que tinha dele manteve-se intacta.

Talvez há pouco mais de um mês fiquei a saber que o José C. Joaquim tinha seguido em mais uma aventura, desta vez fora de Portugal.  Senti imediatamente a necessidade urgente de o convidar a escrever algumas palavras acerca disso. Como de costume, o José não se negou ao desafio.

Vejo tudo isto como algo tão empreendedor quanto qualquer outro esforço de se criar o seu próprio trajecto, definir objectivos e alcançar a meta desejada. Por essa mesma razão tive que incluir esta partilha de experiências no conjunto de esforços empreendedores que fui publicando ao longo desta série de posts.

Fica por isso abaixo um testemunho, que espero, sirva também ele de inspiração.

Olá, sou o José Carlos Joaquim e neste momento trabalho com Front End Developer na empresa Clicmobile, em Paris. As minhas funções incluem a criação de interfaces web e respectiva integração com a parte de backend. Podem encontrar-me no Twitter ou em Logon.com.pt.

Depois da introdução gostaria de agradecer ao Rui Costa a coragem de me convidar para este pequeno texto e agradeço a honra de estar no “mesmo lote” que pessoas tão
distintas como o Carlos Jorge Andrade e o André Ribeirinho, ente outros.

Pelos problemas que coloca escrever sobre nós próprios resolvi dividir o texto em partes distintas: antes, primeiro contacto e decisões, começar, agora e futuro.

Após cerca de quatro anos como Formador de Informática (2004 – 2008), tempo durante o qual continuei a fazer trabalhos como freelancer na criação de sites e/ou conversão de maquetas Photoshop em templates XHTML e CSS, achei que seria a altura de o fazer como profissão a tempo inteiro.

Na fase entre o final do emprego como formador e o inicio da aventura como freelancer tive algumas propostas de emprego, algumas em simultâneo, que me agradaram bastante mas que, por um motivo ou por outro, acabaram por não se viabilizar. Apesar de alguma inércia inicial penso ter conseguido os objectivos a que me propus no início da empreitada.

Depois de cerca de 8 meses a trabalhar a partir de casa fui contactado pela Clicmobile para saber qual a minha disponibilidade para me deslocar a Paris para uma semana “à experiência”. Depois de discutidos valores e datas, parti para a primeira semana. Nesta semana inicial, que serviu para conhecimento mútuo, tive oportunidade de conhecer os métodos de trabalho, o tipo de trabalho que iria desenvolver, os clientes e o funcionamento interno da empresa. Até essa altura o meu uso do francês resumia-se à escola e aos meses de verão com os muitos amigos emigrantes que tenho na terra onde nasci. Apesar de estar destreinado no que respeita à escrita e ao falar, continuo a perceber a maioria daquilo que é dito.

A Clicmobile é uma empresa que se dedica à criação de soluções web e móveis e que tem sede em Genebra e filiais em Paris e Pequim. Em cada um dos locais há especialidades distintas (Web, iPhone, …) o que aumenta substancialmente as áreas de intervenção possíveis. A média de idades julgo estar nos 30 e poucos anos o que cria um ambiente mais descontraído entre os diversos elementos.

O facto de nunca ter trabalho, nesta área, numa empresa com esta dimensão, quer de pessoas quer de clientes, despertou em mim uma grande vontade de aceitar a proposta.

Finda a semana e confirmado o interesse mútuo e com tudo acertado faltava a minha decisão final e respectiva assinatura. Depois de alguns dias em Portugal a pesar os prós e os contras que tal mudança implicaria na minha vida, e, principalmente, na vida familiar a minha esposa, Sandra, disse a frase que define tudo:  “arrepende-te do que fizeste, nunca do que podias ter feito”. Isto deu-me força para fazer a mudança. Obrigado Sandra e obrigado André.

Emigrante foi um termo com que vivi durante a maior parte da minha vida já que o meu pai só deixou de o ser tinha eu 22 anos. Nunca pensei que o seguinte fosse eu, mas cá estou.

Já instalado comecei a inteirar-me do projecto em que iria trabalhar inicialmente. O facto de estar numa fase bastante avançada de desenvolvimento fez com que demorasse um pouco mais a “apanhar o comboio”. A total noção de competências e de divisão de tarefas entre os diversos elementos da equipa que trabalho nos projectos é das coisas que mais me agrada pois estava habituado a usar todos os chapéus, ou seja, e na maioria das vezes, ser o comercial, o designer, o programador back-end e o programador front-end.

A maior dificuldade nesta fase inicial não foi na empresa, mas sim a procura de apartamento. Nunca, e mesmo que me contassem, iria acreditar no que vi. Desde “quartos” com 10 metros quadrados a custarem 600 euros por mês a outros, com 15 a custarem 700 e por vezes mais, até ao número de papéis, certidões, atestados e outras coisas que tais que são necessários para alugar o que quer que seja. Acabei por encontrar um apartamento bastante grande, fora de Paris, mas a escassos 25 minutos de comboio, pelo preço de um dos pequenos quartos que vi. Pior parte ultrapassada.

Paris como sitio para trabalhar é bastante agradável, tem todas as comodidades de uma grande cidade e, para os tempos de lazer, tem uma oferta vastíssima em termos de monumentos, espectáculos, um sem fim de actividades. O único problema é, a meu ver, o facto de ter demasiados franceses.  :)

Tendo em conta a relação do ordenado com o preço das coisas posso afirmar com certeza que esta é bastante mais favorável em Paris do que em Lisboa. Sim, as coisas são mais caras, mas não tanto quanto isso comparados todos os factores.

Neste momento sinto-me totalmente integrado na empresa, bem como quase totalmente à vontade com o francês falado. À escrita lá chegarei. Continuo a trabalhar no projecto inicial, www.zaoza.fr e iniciámos este mês outro a ser lançado brevemente pela Orange no qual sou o responsável pela integração do backend com os diversos elementos de design fornecidos. Assim que for possível divulgo o serviço, que acho bastante interessante.

O futuro é sempre uma coisa difícil de prever, seja por motivos controláveis, quer por outros que nos escapam. O factor que posso controlar, o meu trabalho, esse estou a fazer o melhor que sei. O resto o tempo dirá. Por agora e durante algum tempo vou-me manter por aqui, sempre com o coração em Portugal com a minha mulher e o meu filho.

Deixo-vos com votos de boa sorte em todos os vossos projectos, sejam eles da espécie que forem, e já sabem, se passarem por cá apitem para um café.

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Sobra apenas espaço para te enviar daqui um abraço dos grandes e um sincero agradecimento por teres partilhado a tua experiência. Força e fica prometido esse café para breve.

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4 Responses to “José Carlos Joaquim no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte XI)”


  1. Rui Costa

    1 year ago

    [post 2.0 Webmania] José Carlos Joaquim no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte XI) http://tinyurl.com/3z5c8h

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  2. Rui Costa

    1 year ago

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  3. Rui Costa

    1 year ago

    [bmark] José Carlos Joaquim no “Portugal 2.0 no ano de 2008″ (parte XI) http://tinyurl.com/523haq

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  4. Rui Costa

    1 year ago

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