
Há cerca de um ano, estávamos exactamente a 21 de Novembro de 2008, falava via DM (Twitter) com o Pedro e lembro-me perfeitamente que mencionou um projecto que tinha na calha mas acerca do qual fez questão de não desvendar coisa alguma. Confesso que não pensei muito no assunto até que há umas semanas o “segredo” foi finalmente sendo revelado e muito recentemente foi mesmo possível ficar a conhecê-lo por dentro. Da ideia original à primeira fase de public beta já vai por isso mais de um ano mas pelo que pude ver valeu mesmo a pena esperar.
Como já deve ter percebido, falo do Pond, serviço detentor de um nome absolutamente brilhante para um produto desenvolvido pelo mais famoso batráquio nacional, o SAPO.
O que é o Pond?
O Pond é um agregador/publicador de social media. Um social hub, se assim preferir.
Está estruturado para que, a seu tempo, funcione como um ponto de convergência para tudo o que é serviço baseado no conceito de rede social. É simultaneamente uma ferramenta que permite uma interacção do utilizador com as mais diversas redes sociais e serviços da “nova” vaga.
Em palavras mais despretensiosas é o Twitter, Flickr, SAPO Fotos, YouTube, SAPO Vídeos, Facebook, SAPO Blogs e feeds RSS/Atom num sítio só! Estes são para já os serviços abrangidos pelo Pond mas é mais do que certo que outros surgirão num futuro relativamente breve. Será tudo uma questão de crescimento natural, sem pressas nem atribuição de prioridades ao desbarato.

Como posso usar o Pond?
Para já estão previstas as seguintes formas de acesso ao Pond:
- Clientes web (quatro variantes: para o browser desktop, para dispositivos móveis com touchscreen, para smartphones e para telemóveis com browsers simples)
- Clientes de desktop (para Windows, Mac OS e Linux) – brevemente
- Clientes móveis nativos (para o iPhone, iPod Touch, Google Android e Nokia WRT)

Algo de novo?
Sim, sem dúvida que sim.
O Pond não é “a descoberta do Novo Mundo” no que a agregadores de social streams diz respeito mas caso tenha oportunidade de o testar poderá verificar que a abordagem foi efectuada de forma original o suficiente para que seja digna de nota. Há obviamente semelhanças de conceito com serviços como o FriendFeed (ou outros) mas há também diferenças que o tornam o único. Nos dias que correm a originalidade é mais importante na fase pós-produção e na gestão evolutiva dos projectos do que numa fase primária do desenvolvimento. A quantidade de boas ideias que ficam pelo caminho e o hype que por vezes se consegue gerar em torno de projectos insuspeitos são uma excelente ilustração para esse facto.
Vontando ao Pond, uma das coisas que mais interesse em mim despertou foi a forma como são geridos os “Amigos” (já as amizades são consigo). O Pond adiciona automaticamente os amigos/followers de cada serviço agregado como seria de esperar, ou seja, se adicionar as suas contas Twitter e Facebook ao Pond este tratará de importar toda a sua lista de amigos. Calma, não se fica por aí.
Porque a maioria dos utilizadores possuem contas em várias redes sociais a existência de “amigos” em duplicado, triplicado e por aí em diante, é absolutamente inevitável. Gerir essa situação é contudo muito simples já que o Pond lhe permite colar numa só entidade, dois, três ou quantos “amigos repetidos” tiver.
E.g.: Segue a Maria em todas as redes possíveis e imaginárias e agora tem meia-dúzia de Marias que não passam de uma só. Não há problema! Só tem que explicar ao Pond se trata de uma e da mesmíssima pessoa (ou fonte) e o problema fica imediatamente resolvido.

Então e não é igual ao FriendFeed?
Se bem estão lembrados, serviços como o FriendFeed gerem os perfis como entidades independentes que são geradas pelo próprio serviço aquando do registo do utilizador. Não estão sequer relacionados com as redes e/ou serviços terceiros que indirectamente são representados no FriendFeed. Esta realidade está única e simplesmente relacionada com o facto de que quando o FriendFeed surgiu não surgiu para ser o FriendFeed de que hoje usufruímos.
O FriendFeed não surgiu para ser agregador, surgiu exclusivamente para ser concorrente de projectos como o Twitter e o extinto Pownce.
A tempo emendou o plano e seguiu um caminho próprio. Manteve o cariz de serviço de microblogging mas adicionou-lhe muitas e boas funcionalidades de agregação que fizeram dele um projecto vencedor. Hoje consegue agregar social streams de mais de meia centena de serviços e não pára de crescer. Deixou há muito de ser uma alternativa ao Twitter e é definitivamente um serviço com “personalidade própria”.
Quanto ao Pond é fácil perceber que a estratégia delineada foi outra desde o primeiro dia. São “alhos e bugalhos” e ainda nem chegámos ao mais importante.
E então? Porquê a excitação com o Pond?
É simples. Não entrando em comparações absurdas e discussões inúteis acerca de se o Pond é melhor ou pior do que outros projectos nacionais ou internacionais (existentes ou que venham a existir), é importante reter que o simples facto de estar a ser desenvolvido dentro do SAPO, com o apoio de entidades como a TMN, Meo ou PT Comunicações, transformam o Pond num ferocíssimo candidato ao título de mais importante projecto web a ser desenvolvido em Portugal nos últimos anos.

Nem falo das questões institucionais. Não falo dos rótulos pelos rótulos. Falo sim das consequências sociais que tanto aquelas instituições como aqueles rótulos têm o poder de implicar. Há uma máquina poderosa e muito interessante a alimentar o Pond. Está lá a web, o desktop, o mobile e a televisão do futuro, senhores! Falta o quê afinal? Quando, em período recente ou longínquo, tivemos em Portugal uma tão boa oportunidade de ver um “projecto web” atingir tais plataformas em simultâneo?
A possibilidade da massificação da utilização de um serviço está e sempre estará (nem que por definição) dependente da capacidade de fazer chegar esse serviço ao maior número de pessoas possível. Há essa possibilidade. É só não deixar cair a bola.
São contas fáceis de fazer. Mesmo que o Pond tenha uma taxa de aceitação apenas igual a qualquer outro projecto, o simples facto de ter a possibilidade de chegar até uma fatia estupidamente grande da população portuguesa (através de empresas como a TMN), faz dele um projecto com um potencial de sucesso bem acima da média. Depois há toda a questão do sentido de oportunidade e do savoir-faire que o SAPO tem vindo a cultivar mas isso terá mesmo que ficar para outro post.
É necessário lapidar o diamante em bruto que são as redes sociais (que um dia já nem terão que ser chamadas por estes nomes) e a sua inevitável e imparável integração com a mobilidade e a nova televisão. A altura para o fazer é: ontem.
E é por isso, caro(a) leitor(a), que o Pond pode muito bem ser: uma grande e verdadeira pedrada neste enorme charco!
Boa-sorte.








February 15th, 2010 at 18:48
[...] os finalistas do SXSW Web Awards de 2010 e o Pond, serviço desenvolvido no SAPO (ver “Pond – Uma Verdadeira Pedrada no Charco“), é um dos projectos [...]