Escrito em June 9th, 2009 às 3:00 pm por RC

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Definição brevíssima

O conceito de SaaS (Software as a Service) começa a tomar conta da forma como muito do software, principalmente o direccionado a empresas e profissionais liberais, é publicado um pouco por todo o mundo. O buzz em torno do termo começa a ganhar força e mais tarde ou mais cedo há-de tornar-se tão enjoativo como qualquer “Web 2.0″ ou “dotcom“.

O SaaS define-se, nos dias de hoje e de forma relativamente tosca, como um modelo de distribuição de aplicações em que o cliente aluga o software à medida das suas necessidades, ficando este quase sempre instalado nos servidores do fornecedor do serviço. O cliente não assume a responsabilidade pela manutenção do software e os upgrades são vulgarmente parte integrante do contrato assumido por ambas as partes.

SaaS

As vantagens

O upgrade, por si mesmo e pelas razões acima focadas, não obriga por isso ao upgrade do hardware e um qualquer browser é o suficiente para realizar operações no software contratado. Adicionalmente, o investimento inicial é reduzido ou mesmo inexistente. Muitos serviços disponibilizam inclusivamente um plano gratuito para utilizações pouco exaustivas.

O número de utilizadores (licenças) é vulgarmente um factor no aumento do custo de cada plano de subscrição mas ainda assim ficará muito aquém dos vulgares gastos com licenças, software de base (SO) e hardware. O cliente pode aceder ao software a partir de qualquer máquina (fixa ou móvel) com acesso à Internet e com um browser instalado.

Para o fornecedor do serviço as vantagens não são menores. O controlo do número de “cópias” instaladas e consequente redução das perdas financeiras por utilização ilegal é um dos argumentos mais fortes para a adopção deste tipo de operação. A distribuição das actualizações é levada ao extremo da eficiência já que o software se encontra do lado do fornecedor do serviço. A actualização quase simultânea e instantânea de todas as “cópias em circulação” têm vantagens óbvias em termos dos recursos humanos que será necessário colocar no suporte ao cliente.

SaaS

A rentabilização

O cliente é vulgarmente cobrado num formato de subscrição de serviços mas podem ocorrer outras formas de rentabilização do modelo. A cobrança de uma taxa por acção é uma das oportunidades surgidas com o conceito SaaS, e.g., uma empresa que forneça uma plataforma personalizável de vendas online às empresas clientes, poderá perfeitamente realizar a rentabilização do seu software através da cobrança de um valor por transacção. Não é tão vulgar mas é perfeitamente viável e facilmente extrapolado para outras vertentes e realidades.

As desvantagens

Há também desvantagens ou pelo menos factores dissuasores de uma adopção global deste tipo de relacionamento entre fornecedor de software e cliente.

Primeiro, todas as operações são realizadas através da Internet. Em nenhum país do mundo se pode garantir um serviço com um grau de fiabilidade próximo dos 100%. Poderá muito bem ficar “do lado de fora” do seu software caso o seu fornecedor de acesso resolva falhar na altura menos conveniente e acredite que quando falhar (porque vai mesmo falhar), será na altura mais inconveniente.

A velocidade de operação é outro factor determinante. Hoje em dia estamos cada vez mais próximos de velocidades facilitadoras da realização suave de operações mais pesadas mas ainda assim trata-se de uma comunicação via Internet e tantas vez o problema reside mais na estação do propriamente no caminho até ela.

Depois há as questões óbvias associadas às realidades empresariais. O fornecedor do serviço pode desaparecer de um dia para o outro. Poderá não ser de um dia para o outro, é certo, mas não deixará de ser extremamente complicado resolver uma situação destas caso a utilização que faça deste tipo de software se aproxime mais do intensivo do que do esporádico e o seu fornecedor lhe comunicar que no prazo de 90 dias fechará as portas.

A integração de diversos SaaS e/ou ferramentas e serviços terceiros é um pau de dois bicos. Pode muito bem ser um factor diferenciador entre o serviço A e o serviço B mas também pode ser a fonte de problemas acrescidos. O serviço que integra com a sua oferta mais 2 ou 3 ferramentas não essenciais mas ainda assim de utilidade complementar, consegue ganhar vantagem competitiva mas ganha igualmente a instabilidade somada de todas as partes que compõem a sua oferta. É um jogo delicado e uma dança perigosa, tanto para fornecedor como para cliente.

Depois há a questão da segurança dos dados que estão “ali” e não estão “aqui” mas isto é toda uma outra conversa. Para mim até cairia nos parágrafos dedicados às vantagens mas parece que há demasiadas pessoas com opiniões exactamente opostas. É o chamado “benefício da dúvida”.

SaaS

Para quem é?

Há que pesar bem todos os factores e o modelo SaaS adapta-se perfeitamente – mas só e apenas – a um conjunto de empresas e profissionais com características bem definidas. Igualmente pré-determinadas estão as áreas em que o SaaS é realmente bem-vindo. Para as sectores-alvo aconselham-se aqueles que são mais tradicionais, mais maduros, praticamente obrigatórios mas com diferentes necessidades da parte dos clientes e com clientes com perfis heterogéneos. A facturação, da qual ainda vamos falar mais no post seguinte, é uma dessas áreas.

Quanto às empresas e profissionais a discussão poderia ser levada para a o “depende do software e da finalidade do mesmo” mas isso é perder muito tempo com migalhas que não mantêm empresas a funcionar.

O cliente-alvo são empresas recentes ou recém-formadas, compostas por pessoas mais confortáveis com o tema “Internet”, empresas que já fazem uso de software web based como aquele que existe na gestão de projectos, calendários, aplicações com regimes colaborativos, etc. SaaS será apenas um degrau adicional nessa utilização e não o topo de uma escadaria que ainda nem se começou a subir.

Empresas de gestão tradicional não estão desejosas pela chega deste modelo. É demasiado desconfortável. Um domínio, um site e uns endereços de email não não sinónimo de gestão moderna são apenas os sinais dos tempos. Empresas com uma dimensão considerável não serão certamente o cliente-tipo e empresas cujas contas estejam mais confortáveis em local escuro e “pouco húmido” também não. Empresas que careçam de um elevado grau de personalização para o software que utilizam, idem.

Então e aquele pessoal mais geek, mais hi-tech, mais dado à experimentação e coisas assim? Talvez…está bem, aceito, coloquem-se aí mais umas migalhas, mais uns adeptos e alguns fanáticos mas não vamos esquecer que estes são aqueles que vêem no open-source (com cada vez mais por onde escolher) e nas instalações próprias uma excepcional oportunidade para serem ainda mais geeks.

A grande batalha é uma de mentalidades e não uma de capacidades ou de funcionalidades e estas ganham-se acção constante, vontade, trabalho e muita, mesmo muita, paciência.

Não sei se o SaaS será o futuro mas tenho a certeza que será uma parte importante no futuro de muitos de nós.

Bons serviços.

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Alguns dados e previsões:

Facto: Segundo o IDC España apenas 22% das empresas sabe da existência de um modelo SaaS;

Facto: Dos 22% de empresas espanholas que sabem da existência do SaaS 12% assume ter um conhecimento muito limitado;

Facto: 6% das empresas espanholas usufruem do modelo SaaS e o IDC prevê a triplicação deste valor até 2012;

Previsão: Até 2012, 30% de todo software de negócios produzido será disponibilizado num modelo SaaS;

Previsão: Em 2012, 75% das receitas geradas pelos SaaS marketplaces pertencerá  a cinco ou menos fornecedores de plataformas SaaS;

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22 Responses to “SaaS – será mesmo o futuro?”


  1. PauloQuerido

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  2. Rui Costa

    1 year ago

    [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  3. Paulo Querido

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  4. Paulo Querido

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  5. João Lopes Martins

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS > esperemos bem k sim ;)

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  6. Walter Junior

    1 year ago

    SaaS (Software as a Service) será o futuro? http://migre.me/1Yqk

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  7. Rui Costa

    1 year ago

    [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  8. Paulo Querido

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  9. João Lopes Martins

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS > esperemos bem k sim ;)

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  10. TekPT

    1 year ago

    :: 2.0 Webmania :: SaaS – será mesmo o futuro? http://snipurl.com/jrs2d

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  11. Walter Junior

    1 year ago

    SaaS (Software as a Service) será o futuro? http://migre.me/1Yqk

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  12. Rui Costa

    1 year ago

    [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  13. Paulo Querido

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS

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  14. João Lopes Martins

    1 year ago

    RT @ruijscosta: [no 2.0 Webmania] SaaS – será mesmo o futuro? http://bit.ly/sV4SS > esperemos bem k sim ;)

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  15. TekPT

    1 year ago

    :: 2.0 Webmania :: SaaS – será mesmo o futuro? http://snipurl.com/jrs2d

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  16. Walter Junior

    1 year ago

    SaaS (Software as a Service) será o futuro? http://migre.me/1Yqk

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  17. TekPT

    1 year ago

    :: 2.0 Webmania :: SaaS – será mesmo o futuro? http://snipurl.com/jrs2d

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  18. Cid R Andrade

    1 year ago

    Eu acho que SaaS está se estabelecendo, aos poucos. Em especial, se considerarmos que esta tecnologia faz parte do conceito de Cloud Computing

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  19. Pedro Lopes

    1 year ago

    Interessante artigo, na minha opinião, estes serviços serão de facto o futuro, estendendo-se até aos utilizadores domésticos, seria um alívio para eles esquecer de vez os controladores e as actualizações, e com a chegada da fibra óptica penso que vamos caminhar em definitivo para o Cloud Computing.

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  20. Eduardo Pacheco

    1 year ago

    SaaS – será mesmo o futuro? – http://bit.ly/ze5kA

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  21. Eduardo Pacheco

    1 year ago

    SaaS – será mesmo o futuro? – http://bit.ly/ze5kA

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1 Trackbacks For This Post

  1. PrimaveraBSS Lança Oferta Baseada no Modelo SaaS em Portugal e Espanha « ..::invisible flame light::.. Says:

    [...] http://2.0.bloguite.com/saas/saas-sera-mesmo-o-futuro.html [...]

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