
Se existe uma ideia pioneira aqui em Portugal em termos de web, é esta: o Recortes.pt. Trata-se de um quiosque digital criado nas Incubadoras da Universidade de Aveiro (relembro que deste mesmo sitio nasceu a SAPO), pela empresa Metatheke.
O Recortes.pt introduziu uma inovação na leitura de jornais: a assinatura digital, que permite ler as edições diárias no site pagando uma quantia anual, sempre mais baixa que o preço em papel. Há também a opção de um utilizador apenas se registar no site sem encargos, podendo assim ver algumas das publicações na integra.
Aqui fica a entrevista realizada ao Pedro, Director da Metatheke:
P: Em primeiro lugar parabéns pelo vosso site, é com certeza uma das inovações web 2.0 mais bem conseguidas em Portugal nos últimos tempos. Como surgiu a ideia do recortes.pt ?
R: A ideia do Recortes.pt surgiu de algumas conversas entre os promotores da empresa. O que acontecia inicialmente era que recebíamos os jornais aqui na empresa em formato de papel, e passado algum tempo tínhamos 2 ou 3 estantes cheias de jornais a ocupar espaço que precisávamos de libertar. Então lembrámo-nos que se houvesse um site que disponibilizasse o jornal em formato electrónico escusávamos de nos preocupar com o papel, e para além disso ainda havia a vantagem que podíamos ler o jornal a qualquer hora e em qualquer lugar. Nem imaginas como isto foi útil!
Ainda há algum tempo estive em Cabo Verde e todos os dias ia ler o Diário de Aveiro ao Recortes.pt. Sinto que é uma forma de mantermos a ligação à nossa cidade, independente do sítio onde estivermos. Há uma série de limitações da distribuição em papel que não existem no formato digital, e como não existia nada igual no país decidimos avançar e criámos o primeiro quiosque digital Português.
P: Quanto tempo levou a construir o site ?
R: Demorámos 1 mês até ter a primeira versão funcional, mas para fazer o backoffice, área de gestão, etc., demoramos mais uns 3 a 4 meses.
Explica-nos o funcionamento do site…
O modelo de negócio do Recortes.pt é baseado no funcionamento dos quiosques tradicionais que vendem publicações em papel, a diferença é que trabalhamos com PDFs.
Através dos recortes, os utilizadores podem comprar os seguintes produtos: assinatura papel+digital, assinatura digital, ou um exemplar electrónico.
As assinaturas papel+digital e digital podem ser pagas directamente por transferência bancária ou através do paypal, mas para comprar exemplares no Recortes.pt é preciso carregar o cartão Recortes. Este cartão é tipo um porta moedas, que podes carregar com valores a partir de 10€ e depois utilizas esse saldo para comprar jornais ou revistas no quiosque digital.
P: O utilizador que compre a assinatura digital por 1 ano de uma certa publicação pode ficar com o respectivo PDF (efectuar o download)?
R: Sim, mas o PDF de um jornal ou revista só fica disponível para download passado algum tempo. Há um intervalo de tempo, ao qual chamamos de período de “embargo”, durante o qual não se pode descarregar o PDF.
Isto é para evitar que o jornal circule em formato electrónico e em formato papel. Passado o período de “embargo”, o jornal já pode ser descarregado e o utilizador pode gravar o PDF. De qualquer modo temos implementado um sistema de protecção nos PDFs que identifica quem descarregou o PDF. Assim no caso de descobrirmos os ficheiros PDF em sites ou torrents conseguimos sempre identificar quem cedeu o documento para download.
P: Quando ficam disponíveis os jornais/revistas?
Normalmente, por volta da meia-noite já tens disponível os jornais que vão sair no dia seguinte.
P: A Metatheke tem algum projecto futuro em mente ?
Sim, temos vários projectos em mente, todos eles ligados às áreas dos arquivos e bibliotecas digitais. Neste momento estamos a estabelecer contactos e parcerias para desenvolver os nossos produtos.
Obrigado pela informação Pedro.
Agora a todos os users da 2.0 Webmania: vamos lá fazer uns recortes! Em www.recortes.pt.
Autor: Valério Vaz (www.valeriovaz.net)
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Tags: jornais, metatheke, Notícias, paypal, Portugal, recortes, recortes.pt, Revistas, SAPO, Universidade de Aveiro, valério vaz

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