Escrito a November 2nd, 2007 às 1:52 pm por RC


Vingança?

Muita tecla se tem batido e muito se tem ouvido acerca do OpenSocial, a mais recente bomba largada pelo Google. Acima de tudo, têm-se sentido um onda de positivismo gerada pelo facto de este tipo de “abertura” ser exactamente aquilo que se pretende para a evolução das redes sociais. Ao mesmo tempo lá vão escapando as frases que afirmam que este tipo de acção é uma vingança do Google às questões tidas com o Facebook/Microsoft.

Por mais que o enredo seja interessante e que as ficções geekianas à moda de “O Império Contra-Ataca” sejam, de facto, um animo bem-vindo ao mundo das redes sociais, achar que a estratégia de empresas como o Google passará por questões de vendetta são, no mínimo,…forçadas. Que houve uma estratégia de afastamento do Facebook num período posterior às negociações é sobejamente sabido. Que há, agora, uma clara intenção de desvalorização do Facebook também parece claro mas, tudo isto, são desenvolvimentos perfeitamente naturais da redefinição de conceitos provocada pelo anúncio de algo como o OpenSocial. Colocar o Facebook numa posição delicada é parte do plano mas não é o plano todo.

O OpenSocial

O OpenSocial é uma ideia tão simples quanto genial. De forma muito tosca e para que pessoas como eu o possam entender, o OpenSocial é muito simplesmente um suporte ou ferramenta para criação de conteúdos e a unificação de diferentes redes sociais em torno de um ponto comum. Para definições mais técnicas aconselho a visita ao site do próprio OpenSocial mas, não espere muito por enquanto.

Com o Facebook fora do abraço asfixiante do Google, com o MySpace a crescer a um ritmo de 12 milhões de utilizadores ao ano e a assumir interesse no internauta Brasileiro e com o Orkut a não passar da cepa torta, o papel e a capacidade do Google relativamente a este segmento passou a ser tão grande quanto se a Lada resolver agora produzir super-carros.

Como mudar esse panorama assustador? Criando ainda mais redes sociais? Enfrentando os rivais de frente? Para quê? Qual seria o objectivo de tal estratégia? E que tal entrar pela porta das traseiras, sentar o rabo à beira do fogão e cozinhar algo delicioso? Que tal dar à “industria” das redes sociais aquilo que hoje mais parece valer em termos de sucesso de relacionamento com os seus utilizadores? Que tal assumir a supervisão absoluta da produção dos extras (leia-se aplicações de terceiros)? Já agora que estamos com a “mão na massa” porque não assumir o posto de General mesmo sem estar envolvido na batalha?

Todos nós sabemos que se há alguma coisa que fez crescer o Facebook foi a forma como esta rede social se abriu ao exterior atingindo um número de produtores de conteúdos (aplicações) que se estima agora em 100.000. Replicar essa abordagem seria no entanto praticamente impossível neste momento. Seria necessário algo mais e o OpenSocial é esse algo.

O OpenSocial é a oportunidade para os produtores de conteúdos desenvolverem mais aplicações para uma lista bem mais interessante de “clientes”. É a oportunidade para as redes sociais aumentarem a sua oferta relativamente aos seus “clientes” e é, por fim, a oportunidade de o Google tornar todos os anteriormente referidos em seus… clientes. É uma clara criação de interdependências com um “recíproco” pouco carregado. É o anzol que serve na boca de todos eles.

Depois do primeiro passo ser dado, o ponto de não-retorno ficou já muito para trás. Ning, Hi5, Plaxo, Linkedin, Xing, Friendster e MySpace – entre outros ilustres -, são agora oficialmente, “propriedade” Google à boa maneira de Alexandre “O Grande”: Mantenham a vossa identidade, os vossos credos e as vossas ambições mas, quem manda aqui e apenas para vosso bem, sou eu. O OpenSocial é simultaneamente um equalizador. Dentro desta estrutura, teoricamente, todos os envolvidos possuem o mesmo nível de importância. Uns serão nivelados por cima outros serão claramente prejudicados.

E acabam aqui os movimentos de Xadrez? Não me parece. A próxima jogada terá que vir do Facebook e as alternativas são apenas duas: ou se junta ao grupo ou não se junta grupo. É aqui que reside a verdadeira essência da jogada Google. Obrigar o Facebook a tomar uma decisão e essa decisão será provavelmente a mais importante jogada que o Facebook alguma vez terá que fazer. Se ceder à pressão passará a ser mais uma rede social envolvida pela rede lançada pelo Google. Se não ceder, passará a ser a rede social que ficou de fora.

O peso dos alegados 50 milhões de utilizadores e 100.000 produtores de conteúdos poderá ser o trunfo a jogar na altura certa mas resta saber se a altura certa não terá já passado. Eu não apostaria o meu dinheiro na fidelidade dos produtores de conteúdos já que essa fidelidade dependerá do que um e outro lado terão para lhes oferecer no futuro. A fidelidade dos utilizadores nem vale a pena mencionar.

Honestamente, e perdoem-me os mais entusiasmados programadores, para já, o mais interessante que se pode ver no OpenSocial são mesmo as questões de… movimentação.

Boas redes!

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2 reacções a “Google OpenSocial – Se não os podes vencer junta-os todos!”


  1. jorge

    2 years ago

    império contra ataca” a frase não pode ser mais justa :-) dai a convidar o facebook o recente amigo do seu rival (microsoft ) para se a se juntar a aliança e a comparação com o famoso filme de George Lucas não pode ser que ainda mais realista !! tudo isto é um pouco inquietante de ver como a web esta sendo esterilizada pouco a pouco deixando cada vez migalhas mais pequenas para traz para nós qual será o nosso papel ? certamente de produzir alimentar em conteúdos as redes sócias que serão exploradas pelo “imperio” !! ??
    Google continua a sua estratégia terrivelmente eficaz do simpático predador que nos fez passar por despercebido entre outros por exemplo o continuo scane das caixas de correio gmail
    ( ainda se tanto barulho por aqui por causa das escutas telefónicas … a próxima etapa sem duvida alguma do “império” os telefones móveis ) :-)

    Gerado por Firefox 2.0.0.8 Firefox 2.0.0.8 com Windows XP Windows XP
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1 Trackbacks para este post

  1. Google Phone não existe, parte 65536 - Techbits Escreveu:

    [...] esperado gPhone seja na verdade um sistema operacional e um SDK para dispositivos móveis. E ainda, com os movimentos da semana passada, de criar uma plataforma de aplicativos web, juntamente com a tendência a transformar tudo em [...]

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